Sem curso aeroespacial, alunos da USP montam foguete inédito do zero

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Estudantes do Projeto Jupiter, grupo de extensão da Escola Politécnica (Poli) da USP, lançaram o Elara II, o primeiro foguete da universidade impulsionado por um motor de propulsão híbrida, neste mês. A operação ocorreu no campus de Pirassununga (SP), com o apoio da Academia de Força Aérea (AFA). O marco é significativo por introduzir uma tecnologia ainda pouco explorada no ambiente universitário nacional.O desenvolvimento do motor, batizado de Nêmesis, é o resultado de quase dez anos de pesquisa conduzida pelos próprios alunos. Este projeto é um bom exemplo de “engenharia do zero”. Isso porque a Poli não tem curso de engenharia aeroespacial. Então, os alunos tiveram que projetar e construir toda a infraestrutura (e o conhecimento técnico, diga-se) sozinhos.Motor de foguete da USP usa combustível sólido e oxidante líquido para garantir segurança e controleDiferente de um foguete convencional que você vê em filmes, o Elara II utiliza uma mistura de dois estados da matéria para gerar movimento.Alunos da Escola Politécnica (Poli) USP montaram foguete do zero – Imagem: Divulgação/Projeto JúpiterO que significa ser ‘híbrido’?Na engenharia aeroespacial, a maioria dos motores usa ou apenas propelentes sólidos (como um fogo de artifício gigante) ou apenas líquidos (como os foguetes da SpaceX).O sistema da USP combina combustível sólido com oxidante líquido. A vantagem é permitir maior segurança operacional e, principalmente, o controle do empuxo (a força que empurra o foguete) durante o voo. Em motores puramente sólidos, uma vez aceso, você não consegue desligar ou controlar a potência facilmente.Como o foguete funcionaCombustão: O oxidante líquido é injetado numa câmara onde está o combustível sólido. A reação química entre os dois libera gases em alta temperatura e pressão;Ação e reação: Esses gases são expelidos em alta velocidade pela parte de trás. Pela Terceira Lei de Newton, o foguete é impulsionado na direção oposta;Sistemas de bordo: Além do motor, o foguete carrega paraquedas para recuperação e um sistema de frenagem aerodinâmica para controlar a descida.Embora o lançamento tenha sido um marco tecnológico para a universidade, o desempenho não foi perfeito. É que o foguete atingiu uma altitude menor que a planejada.Por conta de uma falha no abastecimento, o nível de oxidante na decolagem estava abaixo do esperado. A boa notícia é que o sistema de recuperação (paraquedas) funcionou. Assim, o foguete voltou ao solo com danos mínimos para ser estudado.(Essa matéria usou informações do Jornal da USP.)O post Sem curso aeroespacial, alunos da USP montam foguete inédito do zero apareceu primeiro em Olhar Digital.