Prazo para Irã fechar acordo com EUA acaba hoje (7); entenda o cenário

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O prazo final estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Irã feche um acordo e abra o Estreito de Ormuz — ou será fortemente bombardeado e enfrentará o “inferno” — está se esgotando.Trump definiu as 20h (horário do leste dos EUA), 21h em Brasília, desta terça-feira (7) (3h30 da manhã de quarta-feira (8), horário de Teerã) como o prazo final para um acordo.No entanto, ele já fez ultimatos semelhantes em diversas ocasiões nas últimas semanas, adiando o prazo a cada vez. E a ameaça é altamente controversa, com muitos apontando que atacar infraestrutura civil configura crime de guerra.Entenda o cenário atual. Sob alerta da ONU, Trump renova ameaças à infraestrutura energética do Irã Professor: "Muito difícil" sair um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz Autoridade do Irã diz que ignorar Trump não é a resposta adequada Relembre o que Trump disseO presidente estabeleceu o prazo em uma publicação na rede Truth Social no domingo (5), após divulgar uma mensagem repleta de palavrões, renovando as ameaças de bombardear infraestruturas iranianas importantes caso Teerã não abra o Estreito de Ormuz – um ponto de estrangulamento crucial no comércio global de energia.Falando novamente na segunda-feira (6), Trump afirmou que os EUA têm um plano segundo o qual todas as pontes e usinas de energia do Irã poderiam ser destruídas até a meia-noite desta terça-feira. “Quero dizer, demolição completa até meia-noite”, disse o líder americano.Ele já havia ameaçado atingir outras infraestruturas iranianas, incluindo poços de petróleo e usinas de dessalinização de água.Resposta do IrãAté o momento, Teerã respondeu publicamente com desafio, com um comandante militar classificando as ameaças de Trump como “infundadas” e “delirantes” nesta terça-feira.“Se os ataques contra alvos não civis se repetirem, nossa resposta retaliatória será muito mais enérgica e em uma escala muito maior”, alertou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, utilizado pelas forças armadas iranianas.Na segunda-feira, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã instou os americanos a responsabilizarem seu governo pelo que descreveu como uma “guerra injusta e agressiva” contra o Irã.Trump diz que EUA ficariam com petróleo do Irã se fosse escolha dele | CNN PRIME TIMEAmeaça de Trump seria um crime de guerra?Atacar infraestruturas civis críticas pode ser considerado um crime de guerra. Objetos indispensáveis ​​à sobrevivência de uma população – incluindo estações de tratamento de água – são proibidos como alvos militares pelas Convenções de Genebra.A infraestrutura poderia ser considerada um alvo válido se tivesse dupla utilização pelas forças armadas do Irã. Mas Trump ameaçou não apenas explodir algumas usinas de energia do Irã; ele ameaçou explodir todas elas.“Há muitos ex-advogados militares e juristas que têm hesitado em afirmar que qualquer bombardeio contra infraestrutura civil constitui um crime de guerra, porque existem casos em que isso é permitido. Mas a retórica do presidente neste fim de semana, para mim e acredito que para muitos outros, mudou nossa opinião sobre isso”, disse Margaret Donovan, ex-advogada do Corpo Jurídico do Exército dos EUA.“Estamos testemunhando basicamente uma ameaça direta a algo que sabemos que será catastrófico para os civis.”Diversos países entraram em contato com o governo Trump em caráter privado para alertá-los sobre tais ataques, mas a maioria até agora evitou repreender publicamente o presidente americano.Entre eles, estão algumas nações do Golfo que agora temem que o Irã possa atacar sua infraestrutura civil em retaliação, segundo fontes regionais.O governo Trump minimizou essas preocupações, com a Casa Branca afirmando na semana passada que os EUA “sempre” seguiriam o direito internacional.Questionado sobre o assunto na segunda-feira (6), Trump disse que não estava preocupado e que o verdadeiro crime de guerra era “permitir que o Irã tivesse uma arma nuclear”.Teerã já acusou os Estados Unidos e Israel de atacarem infraestrutura civil, com o bombardeio da importante ponte B1, nos arredores da capital iraniana, na sexta-feira (3), e a usina nuclear de Bushehr, no Irã, sendo atingida por projéteis diversas vezes nas últimas semanas.Como estão as negociações?Trump afirmou na segunda-feira que o Irã é um “participante ativo e disposto” nas negociações para um possível fim da guerra e que as conversas com os intermediários estão “indo bem”.A CNN noticiou anteriormente, também na segunda-feira, que Paquistão, Egito e Turquia têm atuado como mediadores entre os EUA e o Irã, mas que as negociações indiretas foram interrompidas na semana passada e que os esforços para um encontro presencial parecem ter chegado ao fim.Mas os esforços diplomáticos encontraram um grande obstáculo na segunda-feira, depois que nenhum dos lados concordou com uma proposta de última hora para um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz, elaborada por países que trabalham para pôr fim à guerra.Trump chamou a proposta de um “passo significativo”, mas disse que “não é suficiente”, acrescentando que ele é a única pessoa que pode determinar se haverá um cessar-fogo.Enquanto isso, o Irã rejeitou a proposta, afirmando que uma pausa nos combates permitiria que os adversários se preparassem para a continuação do conflito.Segundo a mídia estatal iraniana, Teerã enviou uma resposta de dez pontos, pedindo o fim permanente da guerra “de acordo com as considerações do Irã”.Entenda por que os EUA não conseguem proteger o Estreito de Ormuz