Após semanas ou até mesmo meses de restrição alimentar, a balança finalmente baixa. Mas, para muitas pessoas, o alívio dura pouco: o peso volta a subir depois do fim da dieta. O chamado “efeito sanfona” é comum e tem explicações biológicas e comportamentais.Ao contrário do que muita gente pensa, o reganho de peso não é uma questão de “falta de foco”, mas, sim, uma resposta adaptativa do corpo ao que ele interpreta como um “problema” a ser combatido.Quando há perda de peso, principalmente se acontecer de forma rápida, o organismo entende a mudança como uma ameaça à sobrevivência. Para se proteger, o corpo ativa mecanismos de economia de energia. Um dos principais é a redução do gasto calórico basal, ou seja, ele diminui naturalmente a quantidade de energia que o corpo usa para manter funções vitais, como respirar e manter a temperatura corporal. Leia Mais Vacina contra câncer de pele reduz em 49% risco de morte e retorno do tumor Cofen autoriza que enfermeiros prescrevam remédios de uso contínuo Mulheres vivem mais, mas sofrem mais doenças na terceira idade “Além disso, estudos mostram que o maior peso corporal que uma pessoa já alcançou tende a se tornar uma ‘memória metabólica’. O corpo reconhece esse peso máximo como seu “set point” e, com isso, tenta retornar a esse valor ao longo do tempo, principalmente após o encerramento de dietas restritivas ou tratamentos medicamentosos”, explica Tassiane Alvarenga, endocrinologista e metabologista pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).Além disso, hormônios ligados à fome e à saciedade mudam. A grelina, que estimula o apetite, tende a aumentar, enquanto a leptina, associada à sensação de saciedade, diminui. O resultado é mais fome, mesmo comendo o que antes parecia suficiente.“À medida que o organismo emagrece, ocorre aumento proporcional do hormônio da fome, a grelina, e diminuição proporcional dos hormônios da saciedade, especialmente a leptina. Em determinado momento, torna-se muito difícil sustentar voluntariamente a negação da ingestão de alimentos, e o peso é reconduzido às suas origens”, explica Antônio Carlos Nascimento, endocrinologista.Dietas muito restritivas costumam intensificar essa resposta. Ao cortar grupos alimentares ou reduzir calorias de forma drástica, o corpo acelera os mecanismos de defesa, o que aumenta a chance de recuperar o peso quando a dieta termina.Além da biologia, o comportamento também tem papel importante no reganho. Dietas com regras rígidas são difíceis de manter no longo prazo. Quando acabam, é comum retomar antigos hábitos, muitas vezes comendo mais do que antes, seja por fome acumulada ou por sensação de “compensação”.“Na prática clínica e nos estudos, você precisa pensar em oito a doze meses como a fase em que o corpo ainda está ‘testando’ o novo peso”, detalha a endocrinologista Camila Ribeiro.Como reduzir o risco de reganho de pesoSegundo os profissionais ouvidos pela CNN Brasil, não existe solução única para evitar o reganho de peso, mas algumas estratégias ajudam a tornar o processo mais sustentável. Veja:Faça mudanças graduais: ajustes pequenos e progressivos na alimentação e na rotina são mais fáceis de manter do que dietas restritivas. Cortes severos de calorias ou exclusão total de alimentos aumentam a chance de o corpo reagir com mais fome e economia de energia;Seja regular: tenha horários fixos para fazer as refeições, isso ajuda a regular os hormônios ligados ao apetite;Faça atividade física: o movimento regular contribui para o gasto energético e para a manutenção da massa muscular, sem precisar ser excessivo;Tente manter um sono de qualidade e controlar o estresse: eles são fundamentais para a manutenção do apetite e da inflamação do corpo;Busque acompanhamento nutricional: Nutrólogos ou nutricionistas podem adaptar orientações à realidade de cada pessoa;Tenha suporte psicológico ou de terapia cognitivo-comportamental: ajuda a lidar com gatilhos emocionais e promover adesão ao plano alimentar.Perda de peso: veja 5 mitos populares e perigosos para a saúde