O Departamento de Defesa dos Estados Unidos deu um passo para ampliar sua capacidade de testar tecnologias hipersônicas ao fechar um acordo para a compra de 20 voos do sistema HASTE, em um contrato estimado em US$ 190 milhões. A iniciativa pode transformar um processo historicamente limitado em uma rotina mais frequente de validação de equipamentos projetados para operar em velocidades extremas.Os testes utilizam um foguete adaptado capaz de levar cargas úteis a velocidades superiores a Mach 5 (mais de cinco vezes a velocidade do som). O objetivo é submeter sistemas a condições reais de voo, incluindo calor intenso, pressão aerodinâmica e desafios de navegação, que não podem ser reproduzidos integralmente em laboratório.O acordo, com duração prevista de quatro anos, integra um esforço mais amplo para garantir acesso contínuo a testes de alta velocidade. A operação será conduzida com apoio da Rocket Lab, empresa privada responsável pela tecnologia, que pretende tornar esse tipo de lançamento mais recorrente dentro do programa militar MACH-TB 2.0.Diferentemente de lançamentos orbitais tradicionais, o HASTE realiza voos suborbitais – trajetórias que não completam uma volta ao redor da Terra. Essa abordagem permite alcançar altas velocidades sem a necessidade de colocar cargas em órbita, reduzindo custos e simplificando a logística dos testes. O sistema deriva do foguete Electron, já utilizado comercialmente, e pode transportar até 700 quilos em diferentes configurações experimentais.Em velocidades hipersônicas, os desafios de engenharia são ainda maiores. O atrito com o ar gera calor suficiente para comprometer estruturas, enquanto mudanças rápidas de direção dificultam o rastreamento e exigem respostas precisas dos sistemas eletrônicos embarcados. Pequenas falhas podem se amplificar rapidamente, o que torna os testes em voo essenciais para validar materiais e componentes.A possibilidade de realizar lançamentos com maior frequência também pode acelerar o desenvolvimento de novas tecnologias. Em vez de depender de poucos testes complexos ao longo de anos, equipes técnicas poderão comparar diferentes soluções em ciclos mais curtos, ajustando projetos com base em dados reais coletados durante os voos.Investimento do Pentágono visa acelerar tecnologias hipersônicas em operações militares – Imagem: Keith J Finks/ShutterstockVoos hipersônicos ainda enfrentam desafiosMesmo com ampliaçã dos testes, ainda há desafios estruturais. O cronograma depende de fatores como orçamento, disponibilidade de infraestrutura e autorizações operacionais. Além disso, validar tecnologias em voo não significa necessariamente que elas estejam prontas para uso em combate.Os lançamentos devem ocorrer a partir de Wallops Island, na Virgínia, onde a infraestrutura da NASA oferece suporte com sistemas de rastreamento e segurança. Por se tratar de projetos ligados à defesa, muitos detalhes das missões tendem a permanecer restritos.O acordo também ocorre após um teste recente bem-sucedido envolvendo um veículo hipersônico experimental lançado com a mesma tecnologia. A missão utilizou um motor scramjet movido a hidrogênio, capaz de operar em fluxo de ar supersônico, e demonstrou o potencial de novas técnicas de fabricação, como estruturas impressas em 3D.Para a Rocket Lab, o contrato representa uma mudança de escala, consolidando o HASTE como uma plataforma recorrente de serviços para o setor de defesa. Apesar dos avanços, especialistas apontam que armas hipersônicas ainda envolvem altos custos e desafios estratégicos. Sua capacidade de manobra pode reduzir o tempo de reação em cenários de conflito, mas também levanta preocupações sobre estabilidade e escalada militar.O post Pentágono investe US$ 190 milhões em voos hipersônicos para acelerar testes militares apareceu primeiro em Olhar Digital.