O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai cumprimentar pessoalmente os enviados do Líbano e de Israel na Casa Branca nesta quinta-feira (23), quando eles se encontrarem para uma segunda rodada de negociações facilitadas pelos EUA, com Beirute buscando estender um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah um dia após ataques israelenses matarem pelo menos cinco pessoas, incluindo uma jornalista.Uma autoridade dos EUA afirmou que as conversas desta quinta-feira, que ocorreriam no Departamento de Estado, estavam sendo transferidas para a Casa Branca, e Trump deve cumprimentar os embaixadores em sua chegada. “É um sinal da importância que está sendo dada a eles e da prioridade. Acho que há um sentimento de otimismo de que a bola pode avançar”, disse uma outra fonte informada sobre o assunto.Contatos recentes com Trump e o secretário de Estado Marco Rubio se concentraram em interromper a escalada e lançar negociações com o objetivo de encerrar o estado de guerra, garantir a retirada de Israel do território ocupado e enviar o Exército libanês para a fronteira internacional, disse a presidência libanesa em um comunicado.Israel diz que seus objetivos nas conversas com o Líbano incluem garantir o desmantelamento do Hezbollah e criar condições para um acordo de paz. Israel será representado por seu embaixador em Washington, Yechiel Leiter. Rubio foi o anfitrião da primeira reunião entre Leiter e Moawad em 14 de abril — contato de mais alto nível entre o Líbano e Israel em décadas.Encontro após dia mais mortal Quarta-feira (22) foi o dia mais mortal do Líbano desde a entrada em vigor do cessar-fogo, em 16 de abril. Entre os mortos pelos ataques israelenses estava a jornalista libanesa Amal Khalil, de acordo com um oficial militar libanês sênior e seu empregador, o jornal Al-Akhbar.Cerca de 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel entrou na ofensiva após o ataque do Hezbollah em 2 de março, de acordo com as autoridades libanesas.O parlamentar do Hezbollah, Hassan Fadlallah, disse que o grupo quer a continuidade do cessar-fogo, mas “com base no cumprimento total por parte do inimigo israelense”. Em uma coletiva de imprensa televisionada, ele reiterou as objeções do Hezbollah às conversas face a face e pediu ao governo que cancele todas as formas de contato direto com Israel.As hostilidades entre o Hezbollah e Israel reacenderam-se em 2 de março, quando o grupo abriu fogo em apoio ao Irã na guerra regional em curso. O cessar-fogo no Líbano surgiu paralelamente aos esforços de Washington para resolver seu conflito com Teerã, embora o Irã tenha solicitado que o Líbano fosse incluído em qualquer trégua mais ampla.O Hezbollah disse que realizou quatro operações no sul do Líbano na quarta-feira em resposta aos ataques israelenses. Alcançado após conversas entre os embaixadores das duas nações em Washington na semana passada, o cessar-fogo com prazo de vigência até o domingo resultou em uma redução significativa da violência. No entanto, os ataques continuaram no sul do Líbano, onde tropas israelenses tomaram uma zona tampão autodeclarada.O Hezbollah, apoiado pelo Irã, diz que tem “o direito de resistir” às forças de ocupação.