Na minha clínica, uma das primeiras coisas que ouço de homens enfrentando um problema de fertilidade é frequentemente a mesma: “Eu não sabia que eu poderia ser o problema. Me ajude, doutor.”Já vi todo o espectro — casais encaminhados depois que ela foi examinada e estava bem, homens fazendo análise de sêmen antes de começarem a tentar conceber, outros que apenas querem saber como estão antes que a fertilidade se torne urgente. Sem sintomas. Sem sinais de alerta. Apenas um resultado que eles não esperavam. Leia Mais Reino Unido proíbe venda de cigarros: médicos brasileiros defendem ação Semaglutida preserva melhor a massa magra do que a tirzepatida, diz estudo Sem segredos na consulta: veja 7 omissões que podem afetar a saúde A maioria dos homens já sabe que o estresse pode afetar o humor, a libido e as ereções. O que eles não percebem é que sentir-se constantemente sob pressão também pode afetar a saúde dos espermatozoides. Problemas de fertilidade raramente são causados apenas pelo estresse, mas o estresse pode ser uma peça negligenciada do quadro.O que o estresse faz ao seu corpoMuitos homens pensam que o estresse é apenas um problema mental que vive em sua cabeça. Mas o estresse muda o funcionamento do seu corpo.Quando a pessoa se estressa, o corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina. Essa liberação faz parte do sistema de alarme interno do corpo, ajudando você a responder a situações estressantes. No curto prazo, essa resposta pode ser útil. Mas quando o estresse permanece por semanas ou meses, o corpo começa a pagar um preço: O sono sofre. A energia cai. O humor muda. O peso aumenta. A libido diminui.Leva cerca de dois a três meses para que os espermatozoides sejam produzidos, amadureçam e apareçam no sêmen. Essa é uma razão pela qual o estresse crônico pode importar mais do que um período curto de estresse. Meses de esgotamento, sono ruim e pressão constante podem começar a aparecer de maneiras que os homens nem sempre esperam — incluindo na fertilidade.O estresse crônico também pode aumentar o estresse oxidativo no corpo, o que pode danificar os espermatozoides diretamente. Pesquisas relacionaram níveis mais altos de estresse com piores parâmetros seminais, incluindo menor contagem de espermatozoides e pior movimento e forma dos espermatozoides.Um estudo com mais de 1.200 homens descobriu que aqueles com os níveis mais altos de estresse tinham concentração de espermatozoides e contagem total de espermatozoides significativamente menores do que homens com níveis intermediários de estresse.Por que estresse e fertilidade frequentemente andam juntosHomens que lidam com estresse crônico tendem a cair em padrões que agravam o problema — geralmente têm sono ruim, se exercitam menos, experimentam ganho de peso e dependem mais de substâncias.Alguns estão simplesmente muito esgotados mentalmente para perceber o que seu corpo tem lhes dito por meses.Quando avalio homens com preocupações de fertilidade, não pergunto apenas sobre sexo. Pergunto sobre todos esses outros fatores: sono, humor, estresse no trabalho, mudanças de peso, exercícios, uso de substâncias e saúde geral. A fertilidade geralmente não é uma medicina de uma única variável. Os problemas frequentemente derivam de vários fatores se movendo na direção errada ao mesmo tempo — e o estresse é frequentemente o que os coloca em movimento.Quando homens devem se consultarUma coisa que os homens frequentemente não percebem é que fertilidade e desempenho sexual não são a mesma coisa. Um homem pode não ter problemas no quarto e ainda assim ter problemas subjacentes com os espermatozoides.Casais geralmente são aconselhados a buscar avaliação de fertilidade após um ano tentando conceber sem sucesso se a parceira for mais jovem que 35 anos, e após seis meses se ela tiver 35 anos ou mais. Mas você não precisa esperar por um problema para ser examinado.Se você já tem fatores de risco — problemas testiculares anteriores, quimioterapia, certas cirurgias, condições genéticas ou problemas hormonais — pode ser uma boa ideia ser avaliado mais cedo.Uma análise de sêmen é frequentemente um dos primeiros e mais úteis passos. Ela analisa a contagem, movimento e forma dos espermatozoides. Dependendo da situação, uma avaliação mais completa também pode incluir exame físico, testes hormonais e, às vezes, exames de imagem ou avaliação genética.Muitos testes, como a análise de sêmen, agora podem ser feitos em casa, tornando essa informação mais fácil de obter.O que os homens podem fazer de imediatoQuando me sento com um homem no meu consultório, a primeira coisa que digo é que ele não está sozinho, e existem maneiras de ajudarmos. Começa com uma conversa, alguns exames laboratoriais e uma avaliação. E exige paciência — porque melhorar as coisas lá embaixo não acontece da noite para o dia.Isso não significa que a resposta seja simplesmente “relaxar”. Estresse real é estresse real. Demandas de trabalho, pressão financeira, tensão familiar e o desgaste emocional das dificuldades de fertilidade não desaparecem porque alguém foi aconselhado a se acalmar.Mas os homens podem começar olhando honestamente para os hábitos que o estresse pode estar causando. Você está dormindo o suficiente? Movimentando seu corpo? Comendo razoavelmente bem? Bebendo demais? Usando nicotina ou maconha com mais frequência? Evitando lidar com seus sentimentos? Não indo ao médico porque a vida parece ocupada demais?Uma coisa que digo a quase todos os pacientes estressados que eles não esperam ouvir: Saia dos grupos do Facebook e feeds de mídias sociais. As revelações de gênero. As fotos glamourosas de bebês. Os anúncios. Se você já está lutando, esse conteúdo não é inspiração — é combustível para ansiedade e um caminho rápido para se sentir inadequado. Esse estresse é real, e você pode cortá-lo.Fatores que fazem a diferençaO sono afeta a produção de testosterona — e a testosterona é essencial para o desenvolvimento dos espermatozoides. A maioria dos homens precisa de sete a nove horas. Consistentemente dormir menos que isso não é apenas fadiga, mas um problema hormonal.Atividade física regular ajuda a regular hormônios, reduzir o cortisol e manter um peso saudável. Não precisa ser intensa — movimento consistente importa mais do que se esforçar muito na academia.O excesso de peso aumenta os níveis de estrogênio nos homens, o que pode suprimir a testosterona e interromper os sinais hormonais que impulsionam a produção de esperma. Mesmo uma perda de peso modesta pode mudar as coisas na direção certa.Nicotina, maconha e excesso de álcool foram todos associados à diminuição da contagem de espermatozoides, baixa motilidade e forma anormal. Reduzir o consumo é uma das mudanças mais diretas que um homem pode fazer.A nutrição também importa. Uma dieta rica em alimentos processados e pobre em antioxidantes não fornece ao corpo o que ele precisa para produzir espermatozoides saudáveis. Mais alimentos integrais, menos comida não saudável — não é complicado.Fertilidade masculina é uma questão de saúde de todo o corpoSe o estresse crônico está desgastando o corpo, a fertilidade pode ser mais um lugar onde isso se manifesta.Quanto mais os homens entenderem o impacto do estresse, mais cedo poderemos parar de tratar a fertilidade masculina como algo secundário e começar a tratá-la como uma parte importante da saúde geral.A fertilidade masculina não se trata apenas de produzir espermatozoides — trata-se também da saúde da pessoa que os produz.IA pode prever infertilidade masculina com 74% de precisão, diz estudo