O cenário de crises geopolíticas deu nova luz ao papel da proteção de dados e informações nas estratégias de grandes, médias e pequenas empresas.De acordo com uma pesquisa realizada pela TLD – empresa de tecnologia especializada em cibersegurança – a piora das tensões ao redor do mundo gera uma percepção de risco em ciberataques para 64% das empresas entrevistadas. Leia Mais Brasil lidera em IA industrial, com 66% de adoção, diz pesquisa Metade dos brasileiros abandona compra on-line por insegurança, diz Serasa País tem 700 milhões de ataques virtuais em um ano, diz relatório Além disso, a companhia apontou que em meio às fragilidades, os investimentos em segurança cibernética podem ter um corte de até 13%, tornando as intituições possíveis alvos para invasão e roubo de dados.Ao CNN Money, o head de Cibersegurança da TLD, Rafael Dantas aponta que o tema deixou de ser uma questão técnica, passando a ocupar posição estratégica nas decisões corporativas, impactando investimentos, prioridades e até a soberania digital dos países.“Geopolítica deixou de ser só um pano de fundo e passou a ser um fator direto na decisão de cibersegurança”, diz.Segundo ele, esse cenário tem levado organizações a revisarem suas estratégias. Dados de mercado indicaram também que mais de 60% das empresas já alteraram seus planos de segurança — seja por redução de orçamento ou mudanças de direcionamento.Estratégias e a engenharia socialEm tempos de incertezas que encarecem bens e serviços, muitas vezes é necessário que uma reestruturação seja feita, apesar da menor capacidade financeira das empresas para investir na segurança cibernética.Dantas explica que o movimento não se resume a supensão dos recursos. Para o especialista, em muitos casos, trata-se de uma redistribuição baseada em risco.“Não é só sobre cortes, é sobre entender que as organizações passam a balizar suas estratégias considerando fatores geopolíticos”, afirma.Para além dos métodos que possam previnir os riscos, a boa leitura do cenário e o conhecimento sobre as ameaças também são fatores curciais para dominar uma nova estrutura de segurança dentro dos sistemas.Ao CNN Money, Felipe Lutz, CIO da Outsera – empresa de outsourcing de tecnologia – destaca que uma das principais falhas das empresas está atrelada a engenharia social – método usado para para enganar, manipular ou explorar a confiança das pessoas.“Engenharia social é explorar as fragilidades do comportamento humano. Esse tipo de ataque não está focado no financeiro, ele está focado no impacto social”, complementa Dantas.Avanços e limitações do Brasil na segurança cibernéticaNo cenário global, o Brasil ocupa uma posição ambígua no contexto de cibersegurança, sendo reconhecido como referência em inovação no sistema financeiro com soluções como o Pix, mas, ao mesmo tempo, enfrentando entraves estruturais que limitam sua autonomia digital.De acordo com uma pesquisa fornecida pela Fortinet, multinacional de cibersegurança, durante o 1º tirmestre de 2025, foram registradas 314 bilhões de atividade maliciosas direcionadas ao Brasil.Dentre o total, distribuições de malwares (41,9 milhões), ações relacionadas a botnets (52 milhões) e tentativas de mineração não autorizada de criptomoedas (67 mil) chamaram a atenção. No entanto, as tentativas de explorações de vulnerabilidades foram as que mais se destacaram, com 2,4 bilhões de investidas.De acordo com o Lutz, o país também enfrenta um grande gargalo da indústria nacional com a forte depednência do mercado externo, que viabiliza as ações dos softwares nacionais.“A gente depende muito de fora para hardware”, diz.Nesse cenário, o papel do Estado ganha ainda mais relevância. Para Rafael Dantas, é fundamental ampliar a coordenação entre setores e fortalecer a proteção de sistemas estratégicos.“O governo tem que entrar num papel de regulação e coordenação”, ressaltou ele, enfatizando a vulnerabilidade em que instituições governamentais podem enfrentar, envolvendo serviços públicos digitais.Com alta no petróleo, governo acende alerta para evitar efeitos no Brasil*Sob supervisão de Gabriel Bosa