Os EUA estão preocupados com o fato de vários países africanos terem revogado as autorizações de sobrevoo para o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, a mando da China, disse o Departamento de Estado nesta quarta-feira (22), classificando a atitude como abuso do sistema internacional de aviação civil.Taiwan disse nesta semana que as Ilhas Seychelles, Maurício e Madagascar revogaram unilateralmente as autorizações de voo para que sua aeronave presidencial cruzasse o espaço aéreo administrado por eles em uma viagem planejada para Essuatíni, anteriormente conhecido como Suazilândia, um dos aliados de Taiwan.É o primeiro caso em que um presidente de Taiwan teve que cancelar uma viagem inteira ao exterior devido à negação de acesso ao espaço aéreo, representando uma nova estratégia chinesa à medida que intensifica os esforços para sufocar as iniciativas da ilha de se envolver internacionalmente. Leia mais China não planeja invadir Taiwan em 2027, avalia inteligência dos EUA Viagem do premiê de Taiwan ao Japão teve "intenções malignas", diz China China vai apoiar "reunificação" e deve combater "separatistas" em Taiwan “Esses países estão agindo a mando da China, interferindo na segurança e na dignidade das viagens de rotina das autoridades de Taiwan”, disse um porta-voz do Departamento de Estado à Reuters, sem nomear as nações insulares africanas.A autoridade norte-americana disse que a responsabilidade de gerenciamento desses países de determinado espaço aéreo internacional além de seu espaço aéreo soberano era “apenas para garantir a segurança da aviação, não para servir como uma ferramenta política para Pequim”.“Esse é mais um caso em que Pequim realiza sua campanha de intimidação contra Taiwan e seus apoiadores em todo o mundo, abusando do sistema internacional de aviação civil e ameaçando a paz e a prosperidade internacionais”, disse a autoridade.Pequim deve cessar a pressão militar, diplomática e econômica contra Taiwan, acrescentou a autoridade.Uma autoridade sênior de segurança de Taiwan disse à Reuters que a China pressionou as Ilhas Seychelles, Madagascar e Maurício, ameaçando com sanções econômicas, incluindo a revogação do perdão da dívida.O Escritório de Assuntos de Taiwan da China negou a alegação, mas expressou apreço pela posição e “prática” dos três países em aderir ao princípio de uma só China.A China considera Taiwan, governada democraticamente, como seu território, apesar da rejeição da reivindicação por Taipé, e frequentemente chama a questão de “linha vermelha” em suas relações diplomáticas com outros países.A pequena nação de Essuatíni, no sul da África, é um dos 12 países que mantêm laços formais com Taiwan, reivindicada pela China. Lai deveria partir na quarta-feira para o 40º aniversário da ascensão do Rei Mswati 3º.A última vez que um presidente taiuanês visitou Essuatíni, lar de cerca de 1,3 milhão de pessoas, foi em 2023, quando Tsai Ing-wen fez a viagem.Diversos parlamentares dos EUA também condenaram a China pela medida e expressaram apoio a Taiwan. Os EUA não têm laços formais com Taiwan, mas são seu maior apoiador internacional e fornecedor de armas.