O sociólogo e cientista político Alberto Carlos Almeida afirmou que a consolidação de um cenário polarizado entre o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dificulta o avanço de uma “terceira via” na eleição presidencial de 2026. A análise foi feita durante participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, ao discutir as possibilidades eleitorais fora dos dois principais campos políticos.Segundo Almeida, o comportamento do eleitor não se organiza apenas entre esquerda e direita, mas também entre apoio e rejeição ao governo. “Você tem uma composição do voto que não é nem esquerda nem direita, é governo e oposição”, afirmou.Ele explicou que o eleitor satisfeito tende a optar pela continuidade administrativa, enquanto o insatisfeito busca uma alternativa clara de ruptura. “Hoje, o eleitor que quer manter o governo, que podemos chamar de eleitor governista, já tem um candidato, é o candidato que está no governo. Se eu sou satisfeito com o governo, se eu sou governista, eu voto para que o governo tenha continuidade”, disse.Por outro lado, completou: “O eleitor que quer mudar, o eleitor oposicionista, já tem um candidato, ele vota em Flávio Bolsonaro.” Leia Mais Congresso do PT mira plano de reeleição de Lula e consenso interno O Brasil não é tão polarizado quanto parece Lula define QG e principais nomes da equipe de campanha em 2026 Na avaliação do sociólogo, o cenário atual reproduz, com sinais invertidos, a lógica da eleição anterior. “A eleição passada foi Lula versus Bolsonaro, só que Lula sendo o candidato de oposição. Essa eleição só inverteu: Lula é o candidato de governo, e o Flávio, nesse caso, é o candidato de oposição”, analisou.Nesse contexto, Almeida aponta que o principal obstáculo para candidaturas alternativas é disputar o eleitorado oposicionista já consolidado. “O desafio de uma terceira via é retirar os votos de Flávio Bolsonaro e trazer para si, sendo que esse nome Bolsonaro estava presente na eleição passada e está presente nessa eleição”, pontuou.Para ele, esse movimento exigiria uma postura ainda mais crítica ao governo do que a adotada pelo próprio campo bolsonarista. “Este candidato, para retirar os votos de Flávio Bolsonaro e levar para si, seja ele [Romeu] Zema ou [Ronaldo] Caiado, tem que ser mais oposicionista ao governo Lula do que Flávio Bolsonaro é. Isso é muito difícil. Ele tem que atacar Lula muito mais do que a família Bolsonaro já ataca e vem atacando desde sempre”, concluiu. WW EspecialApresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.Conheça o Clube de Membros da CNN Brasil no YouTube. Ao se cadastrar, você garante acesso antecipado à íntegra da edição já às sextas-feiras, além de cortes exclusivos e conteúdos de bastidores do programa.*Publicado por Jorge Fernando Rodrigues