Segundo o estudo, 64% dos trabalhadores pretendem permanecer na organização atual, mas esse número não significa fidelização: 60% continuam disponíveis para novas oportunidades. A tendência indica que a retenção pode ser mais aparente do que real, com profissionais a optarem por ficar por prudência, sem abdicar de procurar alternativas.O estudo analisou mais de 13.900 trabalhadores em 19 países,Do ‘Great Resignation’ ao ‘job hugging’O job hugging surge como uma evolução da tendência conhecida como Great Resignation, que marcou os últimos anos com elevados níveis de mobilidade laboral.Agora, o comportamento mudou. Como explica Daniela Lourenço, Brand Lead da Manpower: «O job hugging não é sinónimo de resignação. É uma resposta a um contexto de maior incerteza económica e tecnológica, em que a mudança deixou de ser apenas uma questão de ambição e passou também a ser uma decisão de risco.»Este novo cenário traduz uma lealdade baseada na segurança, e não necessariamente na satisfação profissional.Empresas enfrentam novo desafio na retenção de talentoCom trabalhadores a permanecerem por cautela, as empresas enfrentam um novo desafio: transformar permanência em compromisso real. «Para fidelizar os profissionais, as empresas precisam de lhes dar razões claras para querer ficar, respondendo às suas expectativas de desenvolvimento e evolução», acrescenta Daniela Lourenço.Neste contexto, o ManpowerGroup identifica três prioridades estratégicas.1. Transformar retenção em compromissoNum cenário de permanência por segurança, as organizações devem apostar em engagement efetivo.Isso implica:Criar oportunidades de evolução interna;Promover mobilidade dentro da empresa;Desenvolver programas de rotação e projetos temporários.Quando os colaboradores conseguem reinventar-se internamente, diminui a necessidade de procurar novas oportunidades fora da organização.2. Fechar o gap de competênciasO estudo revela um desalinhamento entre transformação tecnológica e desenvolvimento de competências.Apesar da crescente adoção de inteligência artificial:56% dos trabalhadores não receberam formação recente;57% não tiveram acesso a mentoria.Ao mesmo tempo, aumenta a incerteza sobre a capacidade de adaptação às novas exigências.A aposta em formação – especialmente em IA e competências digitais – surge como essencial para:Reforçar a confiança dos profissionais;Aumentar a produtividade;Evitar exclusão no mercado de trabalho.3. Tornar a progressão interna mais claraA transparência na evolução de carreira é outro fator crítico.As empresas devem:Comunicar planos de carreira claros;Valorizar competências e não apenas funções;Promover conversas estruturadas sobre desenvolvimento.Este alinhamento permite transformar a permanência cautelosa em compromisso com crescimento interno.O conteúdo Era ‘job hugging’: 64% dos trabalhadores quer ficar nas empresas, mas 60% procura de oportunidades aparece primeiro em Revista Líder.