Adrian Smith e Richie Kotzen, logicamente, já tinham ouvido falar um do outro, mas foi somente após as esposas de ambos ficarem amigas que os laços entre as famílias se estreitaram. Uma coisa levou a outra e o que começou da maneira mais casual e despretensiosa possível logo ganhou o status de projeto, com álbum lançado — “Smith/Kotzen” (2021) — e toda uma campanha de divulgação, com direito a singles, videoclipes e entrevistas para veículos de todo o mundo.Avancemos cinco anos. Segundo dia de Bangers Open Air 2026, fim de tarde/início de noite no Hot Stage, um dos dois palcos principais do evento. Um disclaimer em áudio surge simultâneo ao logo SK no telão. “O que você está prestes a ouvir é música de carne e osso; nada de artificial ou emulado”, diz a voz.Eis que entram em cena Adrian e Richie, agora capitães de uma banda com dois discos de estúdio — o mais recente, “Black Light/White Noise”, completou um ano de lançamento no último dia 5 — e um ao vivo, além de um curto, mas sólido histórico de shows. A formação conta com dois brasileiros: a baixista — e supracitada esposa de Kotzen — Julia Lage (atualmente também no Vixen) e o baterista Bruno Valverde, em meio a uma jornada dupla, haja vista seu principal empregador, o Angra, ser o headliner daquela noite no mesmo palco.A quantidade de camisetas do Iron Maiden no público é sintomática de uma fanbase que tende a abraçar toda e qualquer empreitada, musical ou não, dos integrantes de sua banda do coração. Só que, ao contrário do British Lion do baixista Steve Harris, que segue mais ou menos a cartilha do metal, o Smith/Kotzen mira nas influências compartilhadas entre seus idealizadores: o classic rock de Free e Bad Company — “Darkside”, cuja letra busca oferecer esperança aos que, segundo Smith, estão “f*didos e malpagos”, carrega o DNA da lenda Mick Ralphs — e, especificamente falando de Adrian, os trejeitos guitarrísticos do igualmente lendário Rory Gallagher. Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Igor Miranda (@igormirandasite)O resultado são canções nas quais os vocais de ambos se complementam num entrelace improvável na teoria, mas eficaz na prática. Os solos seguem o esquema “vai que é sua”, e dá para ver nas expressões de ambos o quanto o que Richie denominou “rivalidade do bem” em entrevista a este repórter produz resultados interessantíssimos. No palco, tudo funciona com as devidas licenças poéticas: o solo estendido em “Got a Hold on Me”, com direito a uma caminhada conjunta pela passarela que avançava público adentro, foi o ápice.Cada música é apresentada nominalmente, embora algumas nem precisassem; caso de “Taking My Chances”, o cartão de visitas do disco de estreia. O refrão estava na ponta da língua de mais gente do que se poderia esperar, o que pareceu divertir Adrian. “Running”, também do primeiro álbum, foi outra com boa adesão; sua acessibilidade permitiu o aprendizado quase instantâneo por quem nunca a tinha ouvido. Em contrapartida, a extensa “Scars”, a despeito de ter sido single do primeiro álbum, deu uma leve arrefecida nos motores. Outra que não funcionou tão bem foi “Blindsided” — ainda mais vindo logo após “Wraith”, o puro suco setentista, inclusive na timbragem.Para o desfecho, ignorando os pedidos por “Reach Out” (lado B do Maiden com Smith nos vocais) e o fato de “You Can’t Save Me” (da carreira solo de Kotzen) ter aparecido em setlists anteriores, a escolha foi o hino “Wasted Years”. Enquanto os acordes finais ecoavam naquela que foi uma das melhores apresentações da história do festival, as palavras imortalizadas na voz de Bruce Dickinson ganharam uma nova e definitiva interpretação.Ao olharmos para dois gigantes celebrando o presente com tamanho vigor, a mensagem não poderia ser mais clara: ali no Hot Stage, estávamos todos de fato vivendo os nossos anos dourados.Smith/Kotzen no Bangers Open Air 2026 — repertório:Life UnchainedBlack LightWraithBlindsidedTaking My ChancesDarksideGot a Hold on MeWhite NoiseScarsRunningWasted Years (original de Iron Maiden)Quer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.O post Adrian Smith e Richie Kotzen desfilam química impecável no Bangers apareceu primeiro em Igor Miranda.