StartupiEconomia prateada avança no digital e expõe lacunas na experiência de usuários 60+O avanço da chamada economia prateada no Brasil tem acelerado mudanças no desenvolvimento de produtos e serviços digitais. Com mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e movimentando cerca de R$ 2 trilhões na economia, esse público amplia sua presença como consumidor e empreendedor, influenciando setores como serviços financeiros, saúde e comércio eletrônico.Dados recentes indicam que a digitalização dessa faixa etária cresce em ritmo acelerado. Segundo o IBGE, a proporção de pessoas com 60+ conectadas à internet passou de 44,8% em 2019 para 69,8% em 2024. O movimento, no entanto, não elimina desafios estruturais nas jornadas digitais.“Hoje, os setores que mais capturam esse valor são aqueles ligados à vida prática, como serviços financeiros, saúde, e-commerce e plataformas de gestão para pequenos negócios”, afirma Fernando Garre, desenvolvedor da Gateware. Ele destaca que, embora o público esteja mais conectado, ainda existem barreiras relevantes na experiência digital, especialmente em etapas críticas como autenticação, pagamento e navegação.Economia prateada no BrasilA expansão da economia prateada também é impulsionada pelo empreendedorismo. O Brasil reúne cerca de 4,5 milhões de negócios liderados por pessoas com mais de 60 anos, um crescimento de 58,6% na última década. Esse grupo demanda soluções digitais com foco em funcionalidade e previsibilidade. “O empreendedor sênior não quer uma tecnologia menor. Ele quer uma tecnologia mais respeitosa: clara, segura, eficiente e orientada ao resultado”, diz Garre.Apesar do aumento da conectividade, indicadores mostram um descompasso entre acesso e experiência. Taxas de abandono em cadastros, desistência em checkouts e aumento no volume de atendimentos são sinais recorrentes. “Muitas pessoas conseguem acessar a internet, mas ainda enfrentam dificuldade em etapas críticas. O problema não é o público não entender tecnologia, mas a tecnologia não ter sido desenhada para ser compreendida”, afirma.No comércio eletrônico, por exemplo, fatores como clareza, segurança e reputação da marca tendem a ter mais peso do que preço. Já em fintechs, há espaço para expansão, mas a percepção de risco ainda limita a adesão a soluções mais complexas.A questão da segurança digital é outro ponto sensível. Pesquisas indicam maior exposição desse público a fraudes financeiras, o que impacta diretamente o desenho de produtos. “Segurança precisa estar no desenho da jornada desde o começo. É preciso proteger sem intimidar e orientar sem infantilizar”, diz Garre.Tecnologia a favor do público 60+No campo tecnológico, empresas têm explorado recursos como biometria, inteligência artificial e reconhecimento facial para simplificar acessos e aumentar a proteção. Ainda assim, especialistas apontam que a principal transformação não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas na mudança de abordagem.Benchmarks internacionais reforçam que usuários mais velhos utilizam múltiplos serviços digitais quando percebem valor e segurança, mas enfrentam dificuldades em interfaces complexas. Estudos de usabilidade indicam que simplificação de etapas, linguagem direta e suporte acessível são fatores determinantes para melhorar conversão e retenção.Para empresas, o cenário indica uma mudança estrutural. A economia prateada não se limita à inclusão de um novo público, mas exige o redesenho de produtos e serviços para uma população que envelhece de forma mais ativa, conectada e exigente.“A economia prateada não está entrando no digital. Ela já entrou. A pergunta agora é quais empresas estão preparadas para recebê-la com inteligência, segurança e respeito”, conclui Garre.O post Economia prateada avança no digital e expõe lacunas na experiência de usuários 60+ aparece primeiro em Startupi e foi escrito por Marystela Barbosa