Era um “sol para cada um” em Pasadena, na Califórnia, nos Estados Unidos, em 17 de julho de 1994. O Estádio Rose Bowl recebia quase 95 mil pessoas para a finalíssima da Copa. Brasil e Itália, dois tricampeões, brigavam pela inédita quarta estrela. A seleção, comandada pela dupla Parreira e Zagallo, desafiou os críticos e buscava voltar ao topo do mundo depois de vinte e quatro anos. O relógio marcava 30 minutos da etapa final e o drama e a agonia só aumentavam com o placar de zero a zero. Em uma das jogadas mais lembradas pela torcida até hoje, o “tanque” Mauro Silva chutou de longe com o pé direito. Pagliuca “bateu roupa”, a bola caprichosamente tocou a trave e voltou para as mãos do goleiro. Depois, ele beijou a luva e encostou os dedos na trave. Era uma espécie de “agradecimento” pela sorte que teve no lance. “Até hoje, cada vez que eu assisto aquele lance, eu torço para aquela bola entrar. Um dia ela vai entrar de tanto que eu torço […]. Eu digo que teria evitado muito sofrimento”, declara Mauro Silva. O ex-jogador brinca: “O Ricardo Rocha fala que ninguém iria me aguentar se eu tivesse marcado o gol do título”. O árbitro da Hungria encerrou o confronto dramático aos 16 minutos do segundo tempo da prorrogação para o desespero dos jogadores e dos torcedores. O Brasil finalizou 22 vezes, contra 6 da Itália. Em meio ao esgotamento físico e emocional, pela primeira vez na história, o título seria definido na cobrança de pênaltis. “Você definir uma Copa do Mundo nos pênaltis é extremamente duro. Dois meses antes, com o Bebeto no La Coruña, a gente tinha perdido o campeonato espanhol por causa de um pênalti”, pondera Mauro. Na disputa, a seleção levou a melhor: 3 a 2. A imagem de Roberto Baggio isolando a bola é marcante e lembrada pelos torcedores. O Brasil, finalmente, voltava a ser campeão do mundo.O fato é que, em meio às críticas, a seleção se fechou ainda mais durante a campanha do tetra. Os exemplares dos jornais não entravam na concentração. “Os jornais foram proibidos de entrar na concentração por uma decisão do grupo. Estávamos bem tranquilos. Não existiam as redes sociais. As críticas nos uniram, entramos no campo de mãos dadas, o que motivou o grupo e ganhamos a Copa. Nenhuma seleção que não tem talento ou virtudes é capaz de ganhar uma Copa. Tinham críticas injustas que extrapolavam o lado profissional e invadiam o pessoal, mas era uma seleção madura e o futebol é resultado”, analisa Mauro Silva.Nascido em São Bernardo do Campo, em São Paulo, em 12 de janeiro de 1968, o tetracampeão vestiu as camisas de Guarani, Bragantino e La Coruña, da Espanha. Mauro Silva ganhou chance na seleção ainda sob o comando de Paulo Roberto Falcão, que assumiu a equipe depois da derrota na Copa de 1990, na Itália. O ex-jogador é um dos gigantes da seleção de 1994. Com força física, raça e talento, o meio-campista foi brilhante durante todo o mundial. Além de ajudar a defesa, apoiava o ataque. E se ele tivesse marcado o gol do título? O brasileiro teria sofrido um pouco menos!