Desenrola 2.0: o que se sabe sobre aposta de Lula contra dívidas e pela popularidade

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O governo federal prepara o lançamento de uma nova rodada do programa de renegociação de dívidas em um momento de pressão crescente sobre o orçamento das famílias e de desgaste na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Batizada de Desenrola 2.0, a iniciativa deve ser anunciada em 1º de maio, com foco em ampliar o alcance das negociações entre devedores e instituições financeiras.A medida ganha espaço como principal entrega do primeiro semestre, após o atraso na tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Congresso. Internamente, o programa passou a ser tratado como alternativa para marcar o Dia do Trabalhador e gerar impacto econômico e político no curto prazo.Leia tambémGoverno busca bandeira na segurança e aposta em integração contra roubo de celularPlano elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública terá como foco a devolução do aparelhoO desenho da nova fase mira principalmente consumidores de baixa renda. Segundo apuração do Valor Econômico, o público-alvo inicial são pessoas com renda de até cinco salários mínimos que possuem dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal não consignado.Endividamento recordeO lançamento ocorre em um cenário de deterioração dos indicadores financeiros das famílias. Dados recentes do Banco Central mostram que o endividamento atingiu 49,9% da renda em fevereiro, maior nível da série histórica.O comprometimento mensal com dívidas chegou a 29,7%, indicando que quase um terço da renda está comprometido com pagamentos.Esse ambiente reforça a urgência de medidas que aliviem o orçamento doméstico e sustentem o consumo. A avaliação dentro do governo é que o avanço das dívidas e o impacto sobre o poder de compra têm contribuído para a piora na percepção econômica e na avaliação da gestão.Condições e alcance do programaO Desenrola 2.0 deve permitir a renegociação de débitos com atraso entre dois meses e até três anos, dependendo da versão final do programa, segundo apuração do jornal O Globo. A expectativa é que os juros das novas operações fiquem abaixo de 2% ao mês, com limite estimado em 1,99%.Os descontos oferecidos pelos bancos devem variar conforme o tempo da dívida, podendo chegar a 80% ou 90% para débitos mais antigos. Segundo estimativas do governo, o volume potencial de renegociação pode alcançar R$ 140 bilhões, embora a meta inicial da equipe econômica seja refinanciar entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.Informações apuradas pelo jornal indicam que o programa será voltado exclusivamente para pessoas físicas na primeira fase, com possível ampliação posterior para microempreendedores. Os devedores poderão usar até 20% do saldo do FGTS para quitar dívidas, e os contratos contarão com garantia parcial do governo, via Fundo Garantidor de Crédito, com aporte do Tesouro de até R$ 10 bilhões.Pontos em abertoAinda há definições pendentes antes do lançamento. O governo discute se haverá regras específicas para trabalhadores informais, a possibilidade de período de carência nos novos contratos e mecanismos que limitem o acesso a crédito caro após a renegociação.Também está em análise a inclusão de restrições relacionadas ao uso de apostas online por beneficiários do programa, proposta defendida por integrantes do governo e por bancos, mas que enfrenta dúvidas jurídicas.A adesão das instituições financeiras será voluntária, com participação de bancos e fintechs já negociada pelo Ministério da Fazenda. O objetivo é ampliar a escala do programa sem impor obrigações ao sistema financeiro, ao mesmo tempo em que se busca reduzir o nível de inadimplência e melhorar as condições de crédito no país.The post Desenrola 2.0: o que se sabe sobre aposta de Lula contra dívidas e pela popularidade appeared first on InfoMoney.