Análise: Endividamento das famílias brasileiras sobe para quase 50%

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O endividamento das famílias brasileiras continua alcançando patamares alarmantes, segundo dados divulgados pelo BC (Banco Central) nesta segunda-feira (27). De acordo com o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, o percentual de núcleos familiares com alguma dívida atingiu 49,9% em fevereiro, o maior valor da série histórica.O analista de Economia da CNN Victor Irajá destaca que, segundo o documento, o comprometimento da renda das famílias brasileiras chegou a 29,7%, o que significa que quase um terço dos vencimentos são destinados ao pagamento de dívidas.Esse número representa uma alta de 0,2 ponto percentual no mês e quase 2 pontos percentuais em um intervalo de 12 meses. Do total comprometido, 10,6% da renda é direcionada apenas para o pagamento dos juros, enquanto outros 19% são destinados à quitação do valor principal contratado.O cenário é particularmente preocupante devido às altas taxas de juros praticadas no país. “O cartão de crédito tem juros que ultrapassam o patamar de 400% ao ano”, afirmou Irajá. Ele observa uma mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a utilizar o cartão de crédito não apenas para compras de maior valor, como eletrodomésticos, mas também para gastos do dia a dia. Leia mais BC: Empréstimos e estoques de crédito no Brasil sobem em março Desenrola 2.0: Durigan confirma uso do FGTS em programa para endividados Governo impõe limites contra “juros abusivos” do consignado privado Uso do crédito para despesas básicas“A gente tem acompanhado o uso do cartão de crédito, que tem esses juros exorbitantes, para o pagamento de compras do dia a dia, o que de fato transforma esse endividamento em uma bola de neve”, explicou o analista da CNN. Segundo ele, a contratação tanto do cheque especial quanto do cartão de crédito é muito mais fácil e automática do que, por exemplo, obter um empréstimo com juros menores.Irajá também ressalta que falta uma discussão estrutural sobre o problema do endividamento no Brasil. “Existe sim o problema das bets, mas existe uma taxa de juros bastante elevada. Uma inflação que, infelizmente, caminha para encerrar o ano acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central”, observou. A atual taxa básica de juros está em 14,75% ao ano.Outro ponto destacado pelo analista é que as medidas adotadas pelo governo, como o programa Desenrola e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil, não têm sido suficientes para resolver o problema. Segundo ele, o dinheiro extra que os brasileiros recebem não está sendo direcionado para o consumo, mas sim para o pagamento de dívidas já existentes. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.