Real lidera moedas em 2026 e Goldman projeta dólar a R$ 4,90 em três meses

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Mesmo em dias de aversão a risco do mercado, o real tem se mostrado bastante resiliente, com o dólar rondando os R$ 5. No início da tarde desta terça-feira (28), a divisa americana operava na casa dos R$ 4,98, perto da estabilidade, mesmo em mais um dia de queda para o Ibovespa. No ano, o dólar cai cerca de 9,2%. Conforme destaca o Goldman Sachs, o real é a moeda com melhor desempenho no acumulado do ano e é uma das poucas moedas com cotações mais fortes agora do que antes do conflito dos Estados Unidos e o Irã. O Goldman acredita que o desempenho superior do real é sustentado por três pilares principais: (1) a valorização dos termos de troca do Brasil nos últimos dois meses; (2) a recuperação dos ativos de risco (que vinham limitando o valor do real até março); e (3) o carry trade ainda elevado, comparável apenas ao do COP (peso colombiano). Em uma típica operação de carry trade, investidores usam moedas baratas para empréstimo a fim de financiar investimentos naquelas com melhores rendimentos. Os retornos são maiores se a moeda emprestada enfraquecer.Para o banco americano, o desempenho superior relativo do real ainda tem fôlego para continuar, desde que os preços de energia – como petróleo – permaneçam elevados, mas não levem a um enfraquecimento do apetite por risco. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e perde os 188 mil pontos; PETR4 sobeBolsas dos EUA operam de forma mistaAlém disso, à medida em que as pressões inflacionárias mais elevadas mantiverem o Banco Central em uma trajetória de afrouxamento monetário mais cautelosa (os economistas do Goldman projetam queda dos juros em 0,25 pontos na próxima reunião do Copom), o componente de carry trade dos retornos totais permanecerá ainda mais sustentado, e as posições compradas em câmbio se mostrarão mais atraentes do que as posições vendidas em taxas de juros.“Com isso em mente, acreditamos que o principal risco de curto prazo para os retornos do real seja uma reversão da recente recuperação do apetite por risco”, aponta. A avaliação indica que, apesar do bom desempenho recente do real, o momento pede uma abordagem mais cautelosa nas posições compradas na moeda brasileira. Segundo a análise, uma forma de aumentar a resiliência das apostas na moeda brasileira seria estruturar essas posições de maneira mais neutra ao risco, por exemplo, utilizando o peso chileno (CLP) como moeda de financiamento.Após a valorização acumulada ao longo do ano, os analistas avaliam que o balanço de riscos para o real se tornou mais equilibrado. No início de 2026, a leitura era de que os riscos eleitorais eram assimétricos e favoreciam uma apreciação da moeda brasileira. No entanto, com o rali recente, esse viés positivo perdeu força, abrindo espaço para movimentos em ambas as direções.Leia mais: Dólar seguirá abaixo de R$ 5? Analistas veem novas quedas da moeda no curto prazoO relatório também destaca que, à medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro, os fatores de risco que influenciam o desempenho do câmbio tendem a migrar do cenário global para o doméstico. Ainda assim, a expectativa é que o tema eleitoral só ganhe maior relevância nos preços nos próximos meses. No curto prazo, seguem predominando os efeitos dos termos de troca e das incertezas geopolíticas, especialmente relacionadas ao conflito internacional, sobre o comportamento do câmbio.Com a perspectiva de maior volatilidade ao redor do processo eleitoral, os analistas chamam atenção para a possível deterioração da relação entre carrego e volatilidade, o que pode reduzir a atratividade de estratégias tradicionais em moedas de mercados emergentes.Diante dos movimentos recentes de mercado e da reavaliação do balanço de riscos, a instituição revisou para baixo suas projeções para o dólar frente ao real. A nova estimativa aponta para a taxa de câmbio em R$ 4,90 em três meses e R$ 5,00 tanto no horizonte de seis quanto de 12 meses, ante projeções anteriores de R$ 5,20, R$ 5,30 e R$ 5,30, respectivamente.The post Real lidera moedas em 2026 e Goldman projeta dólar a R$ 4,90 em três meses appeared first on InfoMoney.