Cientistas identificaram evidências de magnetismo preservado em anãs brancas (estrelas que já encerraram seu ciclo de vida) em uma descoberta que pode esclarecer como esses corpos evoluem ao longo de bilhões de anos. O achado também pode dar dicas sobre o futuro do nosso Sol.O fenômeno, descrito como uma espécie de “magnetismo fóssil”, sugere que campos magnéticos formados nas fases iniciais de uma estrela podem sobreviver até seus estágios finais.O estudo, publicado este mês na revista Astronomy & Astrophysics, conecta observações de diferentes momentos da vida estelar, relacionando campos magnéticos detectados no núcleo de gigantes vermelhas com aqueles observados na superfície de anãs brancas. A hipótese central é que esse magnetismo não desaparece, mas persiste e se manifesta novamente após a perda das camadas externas da estrela.Para investigar essa transição, os pesquisadores recorreram à astrosismologia – técnica que analisa oscilações internas das estrelas, conhecidas como “terremotos estelares”. Esses dados permitiram aprofundar o entendimento sobre a estrutura interna das gigantes vermelhas e apoiar a ideia de que seus campos magnéticos podem sobreviver ao processo evolutivo.Descoberta dá dicas sobre o futuro do SolA descoberta também ajuda a esclarecer o futuro do Sol. Em cerca de 5 bilhões de anos, a estrela deve entrar na fase de gigante vermelha após esgotar o hidrogênio em seu núcleo. Nesse estágio, suas camadas externas se expandirão drasticamente, podendo alcançar a órbita de Marte e engolir planetas rochosos, como a Terra.Posteriormente, essas camadas serão expelidas, formando uma nebulosa, enquanto o núcleo remanescente dará origem a uma anã branca.Segundo os pesquisadores, a chave para entender esse processo está na forma como o magnetismo se distribui no interior das estrelas. Em vez de um campo uniforme, os dados indicam uma estrutura segmentada, comparável ao padrão de uma bola de basquete, com maior intensidade nas regiões mais próximas da superfície.Como a evolução de uma estrela altera a forma de um campo magnético. Em vez de estarem centrados em um ponto, as simulações do estudo sugerem que os campos magnéticos podem formar estruturas semelhantes a conchas (linhas rosa) – Imagem: © Lukas Einramhof“Como uma anã branca é o núcleo exposto de uma gigante vermelha que perdeu suas camadas externas, essas diferentes observações examinam essencialmente a mesma região do interior de uma estrela em diferentes estágios evolutivos”, explicou Lukas Einramhof, um dos líderes da pesquisa, em comunicado. “Se o campo magnético observado durante a fase de gigante vermelha for o mesmo que evolui para ser observado na superfície da anã branca, então a teoria do campo fóssil pode explicar e conectar as observações”.A pesquisa também levanta novas questões sobre o próprio Sol. Ainda não há confirmação sobre a presença de campos magnéticos em seu núcleo, mas, caso existam, eles podem influenciar diretamente sua evolução.Além disso, os cientistas consideram que o magnetismo pode até alterar o tempo de vida de uma estrela. “Se o Sol conseguisse, de alguma forma, trazer hidrogênio de suas camadas externas para o seu núcleo, ele seria capaz de viver mais tempo. Uma maneira de fazer isso seria através de fortes campos magnéticos”, afirmou Einramhof, ressaltando que os efeitos ainda são incertos.Os resultados reforçam a importância do magnetismo como um fator central na evolução estelar e indicam que ele pode ser mais comum (e mais duradouro) do que se pensava.O post “Fósseis magnéticos” em estrelas mortas ajudam a revelar o futuro do Sol apareceu primeiro em Olhar Digital.