O impacto fiscal das medidas para conter a alta do petróleo já soma quase R$ 35 bilhões até o mês de agosto. O cenário acende um alerta para as contas públicas, já que a renúncia de receita e os subsídios pressionam o cumprimento das metas fiscais.Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, explica que esse valor considera apenas as medidas que já são realidade, basicamente aquelas anunciadas para o diesel. As medidas anunciadas recentemente pelos ministros da Fazenda e do Planejamento ainda precisam ser materializadas por meio de decreto.Segundo Salto, o governo está tentando aproveitar o aumento do preço do petróleo, que vai turbinar as receitas ligadas ao setor, como dividendos, royalties, IRPJ e CSLL, para compensar o custo dessas medidas mensalmente.“A estratégia é a seguinte: além dos custos que já foram assumidos com as outras ações, o governo quer aproveitar essa alta do petróleo para poder conceder essas isenções de PIS, Pasep e Cofins e também da CID para a gasolina e para o etanol”, afirmou. Leia Mais Ganhos extras com petróleo exigem cautela fiscal, diz Jeferson Bittencourt O que são plataformas de mercado de previsões e qual a diferença de bets Importação de gasolina deve mais que dobrar em abril, diz Datagro Riscos fiscais e precedentes perigososO economista alerta para os riscos dessa estratégia. “Tem um risco, obviamente, nessa estratégia, porque ainda que seja restrito a 2026 e aos efeitos da guerra no Oriente Médio, você abre um precedente”, pondera SaltoEle explica que o projeto de lei enviado pelo governo ao Congresso busca restringir esse mecanismo a 2026.Salto ressalta que as contas públicas estão apertadas, com projeção de déficit para este ano.“Esse ganho extraordinário com o petróleo deveria servir para o governo fazer um resultado melhor. E não para torrar tudo com medidas para tentar promover efeitos nos preços dos combustíveis”, critica.Outro ponto destacado pelo economista é o risco de medidas emergenciais se tornarem permanentes.“Você abre a caixa de Pandora, depois ninguém consegue mais colocar o conteúdo para dentro de novo”, alerta, embora reconheça que o quadro atual é excepcional, com a guerra provocando efeitos sobre a inflação.Falta de planejamento orçamentárioPara Salto, o episódio revela a falta de planejamento na esfera pública federal.“Como a gente opera sempre no fio da navalha, não só esse governo, mas os outros anteriores também, você não tem simplesmente espaço nenhum orçamentário e também não tem instrumentos, mecanismos para agir nesses momentos de exceção”, explica.O economista sugere que o problema poderia ser corrigido com uma lei orçamentária mais fidedigna e um processo orçamentário mais transparente, além da adequação das despesas obrigatórias para que houvesse discricionariedade para momentos de exceção.Sobre o que fazer no momento atual, Salto afirma que é preciso “apagar o incêndio” e elogia a preocupação dos ministros da Fazenda e do Planejamento com a neutralidade fiscal.Para o futuro, sugere repensar o arcabouço fiscal, mas reconhece que isso só deve ocorrer após as eleições.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.