Rússia diz que não exibirá armamentos em desfile anual por segurança

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A Rússia realizará uma versão reduzida de seu desfile anual para celebrar a vitória na Segunda Guerra Mundial, sem a tradicional exibição de armamentos, informou o governo russo nesta quarta-feira (29), citando o aumento da ameaça de ataques ucranianos.O desfile de 9 de maio na Praça Vermelha, em Moscou, é um dos pontos altos do calendário russo, comemorando a vitória sobre a Alemanha nazista em um conflito no qual a União Soviética – da qual a Rússia e a Ucrânia faziam parte – perdeu 27 milhões de pessoas.Em aniversários recentes, a Rússia tem exibido armamentos, incluindo mísseis balísticos intercontinentais, e o presidente Vladimir Putin tem aproveitado a ocasião para mobilizar a nação em apoio à guerra na Ucrânia, que já dura quatro anos. Bombardeiros da Rússia se unem à patrulha aérea da China perto do Japão Inteligência dos EUA indica que a China prepara envio de armas ao Irã Rússia renova oferta para receber urânio enriquecido do Irã Este ano, porém, o Ministério da Defesa afirmou que não haveria exposição de equipamentos militares devido ao que chamou de “situação operacional atual”.Questionado por repórteres sobre a decisão, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: “O regime de Kiev, que está perdendo terreno no campo de batalha a cada dia, lançou agora uma campanha terrorista em larga escala. E, portanto… todas as medidas estão sendo tomadas para minimizar o perigo.”Com as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos paralisadas, enquanto Washington concentra seus esforços no conflito com o Irã, a Rússia tem reivindicado avanços graduais no campo de batalha nas últimas semanas, enquanto a Ucrânia infligiu danos significativos a portos e refinarias de petróleo russos.Drones ucranianos atacaram Moscou em intervalos ao longo da guerra, e a Rússia culpou Kiev por uma série de assassinatos e tentativas de assassinato de oficiais militares de alta patente na capital e nos arredores.A Ucrânia reivindicou a responsabilidade por alguns desses ataques, enquanto negou outros.Críticos ironizam KremlinPeskov observou que o evento deste ano não é um aniversário importante – ao contrário de 2025, quando Putin se juntou a líderes estrangeiros, incluindo os presidentes Xi Jinping, da China, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, para celebrar os 80 anos da derrota dos nazistas.Mas o anúncio de que o desfile não incluiria armas provocou comentários ácidos de críticos do Kremlin.“Eles estão com medo de um motim? Ou todo o equipamento queimou na Ucrânia?”, publicou Abbas Gallyamov, ex-redator de discursos do Kremlin que agora está na lista de “agentes estrangeiros” da Rússia, nas redes sociais.Moscou sob pressãoJohn Foreman, ex-funcionário de defesa britânico em Moscou, afirmou que 11 mil soldados e cerca de 150 veículos militares — incluindo tanques, que estiveram ausentes nos dois anos anteriores — participaram do desfile de 2025.Ele disse que a decisão de não exibir equipamentos militares desta vez refletia tanto as pressões no campo de batalha sobre o Exército russo quanto o receio de se tornar um alvo atraente para a Ucrânia, dada a crescente eficácia de suas capacidades de ataque de longo alcance.Um desfile suntuoso também poderia atrair críticas em um momento em que não há fim à vista para a guerra e o Kremlin foi forçado a reconhecer a frustração generalizada da população, particularmente devido à interrupção em larga escala dos serviços de internet, que Putin defendeu sob o pretexto de segurança.“As coisas não estão indo bem — o clima não é dos melhores, há dificuldades econômicas, eles (os russos) veem uma guerra sem fim”, disse Foreman em entrevista por telefone.A notícia do desfile reduzido provocou discussões acaloradas entre os russos nas redes sociais.Em um grupo de bate-papo no Telegram, um participante disse que seria um “desfile muito estranho” sem armas, porque o objetivo era mostrar aos adversários o que eles teriam que enfrentar se atacassem a Rússia.Outros sugeriram que o momento para um verdadeiro desfile seria quando a Rússia conquistasse a vitória.“Mas quando será isso?”, perguntou uma pessoa.Poseidon: o que é torpedo nuclear capaz de causar tsunami radioativo