O System of a Down sempre abordou de forma direta o genocídio do povo armênio, tema recorrente em suas letras e posicionamentos públicos. Mais uma vez, o assunto ganhou destaque em sua apresentação mais recente, realizada no Sick New World 2026, em Las Vegas, no último sábado (25).Durante o show, Serj Tankian apresentou uma versão de “Der Voghormia”, tradicional oração armênia, em homenagem às vítimas de genocídio como um todo. Na sequência, o vocalista refletiu a respeito do tema e deixou uma mensagem ao público, sendo aplaudido.Conforme transcrição da Metal Hammer, o integrante disse: “Ontem foi 24 de abril, o 111º aniversário do genocídio armênio, quando milhões de armênios, gregos e assírios foram massacrados durante a Primeira Guerra Mundial pelos turcos otomanos. O problema é que o genocídio ainda acontece hoje, ao redor do mundo. Não aprendemos a nossa lição de colocar as pessoas acima do lucro. Está na hora de nos livrarmos desses líderes idiotas do car*lh# ao redor do mundo.” Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Zartonk Media (@zartonkmedia)Conversando com a Folha de S. Paulo em 2024, o cantor explicou como genocídios e crimes de guerra têm passado impune. Citando um exemplo direto, o artista afirmou que a humanidade está “caminhando em direção ao fascismo” e concluiu:“No ano passado, o ditador do Azerbaijão deixou 120 mil armênios étnicos passando fome por nove meses na região de Nagorno-Karabakh, terra na qual eles viviam há mais de 2.000 anos. Depois, os atacou, fez uma ‘limpeza’ étnica e assumiu o controle das terras. Genocídio, crimes de guerra estão acontecendo neste momento e a maior parte do mundo nem sabe. Todo mundo sabe sobre Israel e a Palestina, mas ninguém sabe disso. Então, sim, a humanidade está regredindo. Estamos caminhando em direção ao fascismo. Não aprendemos as lições dos genocídios do século 20.”System of a Down e ArmêniaÉ impossível falar sobre o System of a Down sem antes falar do genocídio do povo armênio pelas mãos do Império Otomano entre 1915 e 1917. Cerca de um milhão de pessoas morreram em massacres e marchas pelo deserto da Síria. Além disso, mulheres e crianças foram convertidas à força ao islamismo.Ao fim da Primeira Guerra Mundial, a Armênia recebeu sua independência através do Tratado de Sèvres em 1920, mas tropas nacionalistas turcas mataram mais de 100 mil armênios tentando retornar ao lar. A única coisa que acabou impedindo a erradicação total da população foi a incorporação do território à União Soviética. Ainda havia um número incontável de sobreviventes espalhados pelo Oriente Médio, forçados a viver longe de sua terra natal.Vartan Malakian, filho de um sobrevivente do genocídio, nasceu em Mosul, no Iraque, antes que o regime de Saddam Hussein forçasse sua família a procurar exílio no Líbano. Lá, ele conheceu Zepur, outra descendente de armênios, e os dois foram tentar a sorte nos Estados Unidos, onde tiveram um filho, Daron Malakian. Ele se interessaria por guitarra desde cedo, influenciado por bandas como Kiss.Shavo Odadjian nasceu na Armênia, aquela que nasceu em 1920 e se tornou parte da União Soviética, deixando de ser independente para sobreviver. Sua família deixou a Cortina de Ferro para trás no fim da década de 1970, quando ele tinha apenas cinco anos de idade. O destino? Estados Unidos.O Líbano acabou sendo um porto seguro onde as famílias de dois outros integrantes do System of a Down encontraram refúgio. Tanto o vocalista Serj Tankian quanto o baterista John Dolmayan nasceram lá, filhos de sobreviventes do genocídio, sendo capazes de traçar suas linhagens a vários lugares do Império Otomano de onde foram forçados a deixar.Quer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.O post Serj Tankian reza por vítimas de genocídios recentes em show do System of a Down apareceu primeiro em Igor Miranda.