A economista e advogada Elena Landau criticou o plano de reestruturação dos Correios, classificando-o como insuficiente para resolver os problemas estruturais da estatal.Em entrevista ao CNN Money, Landau comentou sobre o prejuízo de R$ 8,5 bilhões registrado pela empresa em 2025 e a queda de 11% na receita bruta em comparação com o ano anterior.Segundo Landau, o plano atual não conseguirá reverter a situação financeira da empresa devido ao peso herdado do passado.“Desde o momento que foi anunciado o plano de reestruturação, a gente sabia que ele não ia ter um impacto significativo nas contas dos Correios”, afirmou.A especialista destacou o descasamento entre as dívidas acumuladas, incluindo quase R$ 1 bilhão só em juros, e as medidas de reestruturação que são implementadas de forma muito lenta.“Ainda que o plano pudesse dar certo, vender imóveis, fechar agência, reestruturar as linhas de entrega, tudo isso dava muito tempo frente a uma empresa que estava com um prejuízo bilionário”, explicou. Leia Mais Governo busca fugir da compensação com PLP do petróleo, diz economista Impacto fiscal do fim da escala 6x1 vai pressionar juro, diz Firpo Alemanha reduz pela metade projeção de crescimento do PIB em 2026 Empréstimos com garantia do TesouroUm dos pontos críticos apontados por Landau é o recurso a empréstimos com garantia do Tesouro Nacional.“Pegou um empréstimo com garantia de Tesouro que os bancos que emprestaram sabem que o Correios não vão honrar e isso vai acabar sendo gasto financeiro, despesa financeira mais à frente”, alertou.A especialista também chamou atenção para a falta de um plano efetivo para o futuro da empresa.“O que falta no plano de reestruturação é o plano de fato para o futuro da empresa”, disse Landau, acrescentando que é necessário definir claramente o que se espera dos Correios num cenário de forte concorrência e avanços tecnológicos.Landau apontou que a venda de imóveis e o PDV (Programa de Demissão Voluntária) ficaram muito aquém do esperado.“Os juros vão continuar crescendo, novos empréstimos terão que ser feitos. Então, vai ficar uma bola de neve e o cachorro sempre correndo atrás do rabo”, comparou.A especialista defendeu uma discussão mais ampla sobre o papel dos Correios, questionando: “Você quer manter a questão postal? Você quer continuar entregas? Você vai vender uma parte?”.Ela lembrou que, embora a Constituição preveja a universalização do serviço postal, isso não significa necessariamente um monopólio da União, podendo haver delegação ou concessão do serviço.Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.