Quem atrapalha mais as aspirações de Flávio para chegar à presidência: Lula, Zema, Caiado ou o fogo amigo? E quando todos resolvem jogar contra, como reagir? No início, diziam até que herdaria a rejeição do pai. Não herdou.Concorrer num pleito à presidência da República já é um desafio difícil de ser superado. Ter Lula como adversário, com toda a sua experiência e a caneta na mão para acionar pacotes de bondade, torna a empreitada ainda mais complicada. Haja couro duro para superar tantos obstáculos e resistir a tanta pressão.Se não bastassem essas agruras, Flávio Bolsonaro ainda precisa ficar de olho no fogo amigo, com nomes de peso que teimam em atrapalhar a campanha. Um dia é Nikolas Ferreira trocando farpas com Eduardo Bolsonaro. No outro, Renan, o mais novo dos filhos. E não poderia faltar Carlos, o mais beligerante.Flávio tem sido jeitoso E por cima de todos esses contratempos, aparece ou desaparece o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas. Esse, que era visto apenas como técnico, já aprendeu as manhas e artimanhas da política. Sabe como falar sem dizer nada. Durante esses meses, renovou votos de fidelidade a Jair Bolsonaro, mas não havia metido a mão no vespeiro para apoiar o filho.Até aqui, o candidato do PL tem sido jeitoso. Empenhado em conservar a imagem de moderado, vai colocando panos quentes em todas as rusgas que surgem. Sem defender um ou outro lado, diz com firmeza que é preciso haver união, que o adversário a ser batido está na outra trincheira, não do lado quedefendem.Era o adversário mais frágilDiante desse quadro, até os governistas ficaram exultantes. Afinal, segundo julgavam, Flávio era o adversário ideal. Desprovido de uma personalidade combativa, com um passado explorável pelos adversários e sem apoio de boa parte dos conservadores, bastaria um sopro para derrotá-lo. Tanto que Lula não se incomodou muito em atacá-lo num primeiro momento.Assim que as pesquisas passaram a mostrar o crescimento vertiginoso de Flávio, diante das quedas sucessivas na aprovação do governo, o cenário começou a preocupar e partiram para o confronto. Descobriram que estavam diante de um competidor de peso.Tarcísio deu as carasDe repente, diante de intenso tiroteio, Tarcísio resolveu dar as caras na campanha. Em pronunciamento feito na quinta-feira, 15, fez defesa ostensiva do filho do seu padrinho político: “Eu confio na candidatura de Flávio, a candidatura está extremamente bem-sucedida. Eu tenho certeza de que o Flávio será o próximo presidente da República do Brasil. Olhe lá se essa eleição não terminar no primeiro turno”.Finalmente, o tão esperado palanque de São Paulo começa a ser armado. Essa é uma iniciativa fundamental para as pretensões de quem deseja vencer as eleições presidenciais. Afinal, trata-se do maior colégio eleitoral do país. Esse entrelaçar de braços representa uma forte demonstração de prestígio e solidariedade.Desaprovação em altaOs resultados das pesquisas e esse importante apoio paulista podem deixar Flávio tranquilo, com a certeza de que já consumou a fatura? Só os ingênuos em política contam com os ovos antes de a galinha botar. Agora começa a fase das acusações, das narrativas, das tentativas de desqualificar o oponente.Lula não está em boa fase. Os recentes números do Datafolha são desanimadores para o governo: 51% dos brasileiros desaprovam, e só 45% aprovam. Sem contar que esses levantamentos mostram uma tendência constante de queda. Não é fácil reverter a direção desse gráfico.Sentimento antipetistaE mais preocupante para Lula é que, pelos resultados das pesquisas, o que parece estar em jogo nem são propriamente os méritos e atributos de seus concorrentes, mas sim o sentimento antipetista dos eleitores. Por isso, a desaprovação é um dado relevante.Ocorre que, nesse cenário de oposição ao governo, até Zema e Caiado, que hoje possuem números sofríveis no primeiro turno, como marcantes figuras antipetistas, poderiam vencer.Todos podem chegar láPortanto, nada garante que essa biruta política não mude de direção com os ventos que passarão a soprar durante a campanha. Por exemplo, Zema talvez deixe as prateleiras de baixo devido aos confrontos que estabeleceu com alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).Caiado é outro que patina na rabeira das pesquisas, mas esbraveja contra a criminalidade. Obteve excelentes resultados em seu estado. Com essa bandeira, poderá surfar na lufada anticrime, que se transformou em um dos aspectos mais relevantes nas aspirações do eleitorado brasileiro.Está tudo por acontecer. Lula poderá reverter os números negativos se melhorar o discurso, mostrar mais disposição em governar e afiar a caneta na direção certa. Zema parece ter achado o caminho, falando o que muita gente gostaria de dizer. Caiado está com uma forte bandeira no combate à criminalidade. E Flávio?Esse continua surfando no nome do pai, nas atitudes moderadas e conciliadoras que tem adotado e na confiança que os eleitores demonstram em seu nome, a partir do resultado das pesquisas. Quem arrisca apostar? Siga pelo Instagram: @polito