Seniores em Portugal sustentam famílias, mas priorizam lazer, revela estudo

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Num país onde 31% da população já tem mais de 60 anos, esta geração revela-se simultaneamente resiliente, digital e determinante para a estabilidade intergeracional.Uma geração que sustenta e preocupa-se com o futuroO estudo mostra que os seniores portugueses não são apenas consumidores, mas também um suporte essencial das famílias. O apoio financeiro aos mais jovens é visto como fundamental por 92% dos inquiridos, refletindo uma preocupação transversal com o futuro das novas gerações.Mais do que uma tendência conjuntural, este comportamento revela uma mudança estrutural: num cenário de incerteza económica, os seniores assumem um papel ativo na coesão social e na redistribuição de rendimento.Do apoio familiar ao consumo digitalAo mesmo tempo, esta geração está a acompanhar a transformação digital. Cerca de 21% dos seniores em Portugal têm hábitos digitais regulares, acima da média europeia, e essa mudança já se reflete nos padrões de consumo.No comércio eletrónico, o turismo destaca-se: 43% dos seniores que compram online adquirem viagens, num sinal claro de que o lazer ganhou centralidade nesta fase da vida. Seguem-se produtos culturais, eletrónica e vestuário, enquanto o consumo de conteúdos digitais também cresce, com forte adesão a plataformas de streaming.O dado mais revelador é talvez este: 76% dos seniores portugueses colocam o lazer como prioridade, acima da média europeia, um indicador de que esta geração procura qualidade de vida, não apenas segurança.Entre o prazer e a racionalidadeApesar desta abertura ao consumo, o comportamento mantém-se equilibrado. A maioria admite querer ‘mimar-se’ ocasionalmente, mas o preço continua a ser decisivo. 83% consideram o preço um fator determinante e mais de metade é particularmente sensível a promoções, evidenciando uma lógica de consumo consciente.Há também sinais de maior atenção à sustentabilidade, com uma parte relevante dos seniores a optar por reparar produtos ou adquirir artigos recondicionados.Envelhecer com autonomia e com melhores respostas públicasSe há uma preferência clara, é a de manter a independência: 83% querem envelhecer na sua própria casa. Esta ambição levanta, no entanto, desafios estruturais, desde a adaptação das habitações ao acesso a cuidados de saúde.Neste campo, quase metade dos seniores aponta o reforço do sistema de saúde como prioridade, num contexto de pressão crescente sobre os serviços e de aumento da despesa global em saúde, que já ultrapassa os 35 mil milhões de euros em Portugal.O envelhecimento é, aliás, percebido como um dos grandes temas nacionais: 62% dos portugueses consideram-no uma questão muito importante, a taxa mais elevada da Europa.Um novo papel na sociedade com novos desafiosO retrato traçado pelo Barómetro Cetelem é claro: os ‘novos seniores’ são mais ativos, mais digitais e mais relevantes do que nunca. Sustentam famílias, consomem, viajam e procuram bem-estar.Mas este protagonismo traz também exigências. Garantir o seu poder de compra, reforçar os sistemas de saúde e adaptar o mundo do trabalho e da habitação serão fatores decisivos para responder ao chamado ‘choque demográfico’.Num país que envelhece rapidamente, esta geração deixou de ser apenas um grupo a proteger e passou a ser um dos principais motores de estabilidade económica e social.O conteúdo Seniores em Portugal sustentam famílias, mas priorizam lazer, revela estudo aparece primeiro em Revista Líder.