Mal havia acabado “Pinball Map”, música de abertura do show do In Flames no Bangers Open Air 2026, e na pista do Ice Stage já se ouvia entoar os coros de “olê olê olê”, emendado ao nome da banda. O vocalista Anders Fridén já havia deixado para o público cantar sozinho o refrão da faixa de “Clayman” (2000) e faria isso de novo várias vezes pelos setenta e cinco minutos seguintes.O quinteto sueco pareceu a atração principal de um dia em que vertentes mais modernas da música pesada tomaram conta dos palcos principais do Memorial da América Latina. O retorno da banda ao país após três anos não trouxe nenhum trabalho novo na bagagem. Ainda assim, “Foregone” (2023) foi o álbum mais representado na noite em que foi ignorada a fase inicial do grupo, quando era um dos pilares do death metal melódico de Gotemburgo.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxAlgumas canções até fizeram aceno às raízes do grupo, como em “The Great Deceiver” e “State of Slow Decay”, ambas do disco de 2023. Apesar de abrirem algumas rodas, nem de longe foram dos momentos mais memoráveis da apresentação irretocável — ainda que engessada — do quinteto. Sem contar com o tecladista Niels Nielsen nessa turnê, o In Flames precisou de bases pré-gravadas para reproduzir os efeitos incorporados à sua sonoridade cada vez mais cadenciada.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxE foi nessa cadência menos veloz que a pista do Ice Stage acompanhou aos pulos o ritmo ditado pelos americanos Liam Wilson, no baixo, e Jon Rice, na bateria. A partir de “Deliver Us”, faixa do disco “Sounds of a Playground Fading” (2011) e terceira da noite, o show entrou num crescendo de uso de efeitos se unindo às guitarras de Björn Gelotte, único sueco remanescente da formação noventista ao lado do vocalista, e de Chris Broderick, de passagens anteriores por Megadeth e Nevermore.Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxA cantoria do público nos refrãos também se manteve ascendente, chegando ao auge em “Cloud Connected” e “Trigger”, sequência do álbum “Reroute to Remain” (2002), então com certa polêmica, pela aproximação com o nu-metal. Como esteve claro no Memorial da América Latina, mais de vinte anos depois, ficou para trás quem torceu o nariz no passado quando “Only for the Weak”, outra de “Clayman”, as sucedeu no repertório e manteve o clima lá em cima. Fridén apenas observava entre as músicas e dizia que queria capturar aquela vibração emanando da pista. Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Igor Miranda (@igormirandasite)Ainda foram tocadas mais seis músicas depois desse momento. Se era difícil igualar, o show chegou perto de despertar a mesma comoção nos versos catárticos de “Alias”, do disco “A Sense of Purpose” (2008), ou quando Friden deixou a cargo das vozes na pista o final de “I Am Above”, do penúltimo álbum “I, the Mask” (2019).Foto: Gustavo Diakov @xchicanoxNa reta final, Fridén pediu por um enorme circle pit antes de “The Mirror ‘s Truth” e foi atendido até com um sinalizador. Em outro aceno à fase inicial, “Take This Life” encerrou a apresentação com o público se dividindo entre quem pulava e quem abria rodas tanto pelo “front row” quanto na pista comum em frente ao Ice Stage. Todos, porém, cantaram a letra com força. E quando o In Flames deixou o palco, mais uma vez entoaram o “olê olê olê” como se fosse uma torcida após uma vitória categórica de seu time. Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Igor Miranda (@igormirandasite)In Flames no Bangers Open Air 2026 — setlist:Pinball MapThe Great DeceiverDeliver Us(In the Dark)The Quiet PlaceVoicesCloud ConnectedTriggerOnly for the WeakMeet Your MakerState of Slow DecayAliasThe Mirror’s TruthI Am AboveTake This LifeFoto: Gustavo Diakov @xchicanoxQuer receber novidades sobre música direto em seu WhatsApp? Clique aqui!Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.O post In Flames faz show irretocável e digno de headliner no Bangers apareceu primeiro em Igor Miranda.