Companhias aéreas americanas mantêm tarifas, mesmo com custos menores

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O aumento do preço do combustível de aviação devido à guerra no Irã levará a passagens aéreas significativamente mais caras. Mas não é esperado que os preços das passagens caiam quando os preços do combustível começarem a diminuir.As altas tarifas aéreas são impulsionadas tanto pela forte demanda por viagens quanto pelo custo do combustível. Apesar dos preços mais altos das passagens, os viajantes estão reservando voos em números recordes em muitas companhias aéreas. Portanto, enquanto os passageiros continuarem viajando, é provável que as tarifas mais altas se mantenham, independentemente do custo do combustível.“Quanto mais tempo os consumidores pagarem esses preços e as companhias aéreas se acostumarem com essa fonte de receita, maior a probabilidade de ela se manter”, disse o CEO da United, Scott Kirby, durante a teleconferência de resultados na quarta-feira. Os passageiros da companhia aérea agora pagam, em média, 20% a mais por milha voada em comparação com o ano passado. Leia Mais Entenda como aéreas sobem preços e revisam metas com combustível mais caro Companhias aéreas podem ficar sem combustível devido a guerra no Irã American Airlines reduz previsão para 2026 devido a custos com combustível Questionado sobre a possibilidade de manter as tarifas mais altas quando os preços dos combustíveis se normalizarem, o CEO da American Airlines, Robert Isom, disse que os clientes já estão dispostos a pagar mais por itens como mais espaço para as pernas ou assentos mais próximos da frente.“Estou otimista quanto ao que isso significa para o nosso negócio”, disse Isom aos analistas na quinta-feira.Ele afirmou que as reservas para o verão permaneceram fortes, mesmo com o aumento das tarifas da companhia aérea.“Acho que o que estamos vendo é o reconhecimento de que viajar ainda é um bom negócio”, disse Isom.O preço do combustível de aviação, que praticamente dobrou desde o início do ano, é um dos principais fatores por trás dos aumentos generalizados nas tarifas. O combustível é o segundo maior custo operacional das companhias aéreas, perdendo apenas para a mão de obra.As quatro maiores companhias aéreas do país — United, American, Delta e Southwest — gastaram, em média, US$ 100 milhões por dia com combustível no ano passado. E isso em um período de preços relativamente baixos do petróleo e do combustível.Hoje, eles estão pagando bilhões a mais. A Delta afirmou que enfrentou um aumento de US$ 2 bilhões nos custos de combustível somente neste trimestre.Aéreas têm limite para subir tarifas, diz especialista | MONEY NEWSAs companhias aéreas estão repassando parte do custo para os consumidores. Resultados recentes mostram que elas já estão cobrando dos passageiros 20% a mais por milha voada em comparação com o ano passado, e a previsão é de que as tarifas subam ainda mais.O diretor de operações da Southwest Airlines, Andrew Watterson, disse aos investidores na quinta-feira que já houve cinco aumentos de tarifas em todo o setor neste ano, e que outros estão a caminho. E todas as companhias aéreas afirmam ter recuperado apenas uma parte dos custos adicionais.As tarifas representam muito mais do que os custosMas as tarifas não são baseadas no custo de operação de um voo, disse Zach Griff, autor de um boletim informativo sobre companhias aéreas chamado From the Tray Table.Em vez disso, o preço é determinado principalmente pela demanda — por uma determinada rota, horário do dia ou da semana e pelo nível de concorrência.Por exemplo, voos noturnos ou no meio da semana costumam ser mais baratos do que voos em horários de pico na mesma rota, como na tarde de sexta-feira. Além disso, os passageiros geralmente pagam muito menos por quilômetro percorrido em voos populares de longa distância entre grandes cidades, como Nova York e Los Angeles, do que em rotas mais curtas com menor demanda.As companhias aéreas estão cortando alguns desses voos menos lucrativos, que se tornaram deficitários devido ao aumento dos preços dos combustíveis. A United, por exemplo, reduziu sua programação de voos em cerca de 5% até setembro. A eliminação dessas tarifas promocionais também está elevando o preço médio das passagens.Mas, como os viajantes ainda continuam reservando passagens, as companhias aéreas sabem que podem manter as tarifas mais altas nos voos restantes.“O cenário tarifário será definido, em última análise, pelas condições de mercado”, disse Watterson, da Southwest.Existe também a possibilidade de a Spirit Airlines, pioneira em tarifas ultrabaixas, sucumbir ao peso do aumento dos custos de combustível.A companhia aérea de baixo custo, que entrou com pedido de falência duas vezes nos últimos dois anos, alertou em março que poderia fechar as portas. O governo Trump afirmou que está considerando a possibilidade de resgatá-la ou até mesmo comprá-la para mantê-la em funcionamento. Mesmo que a Spirit sobreviva, será muito menor. Outras companhias aéreas de baixo custo também estão enfrentando dificuldades.Disparada do petróleo: Veja medidas que países estão adotando contra preços“Se eliminarmos a concorrência de baixo custo da equação, então, sim, acho que a United e outras companhias aéreas poderiam realmente manter essas tarifas mais altas por muito tempo”, disse Griff.Independentemente do que investidores e analistas possam pensar da tentativa das companhias aéreas de manter os aumentos de tarifas mesmo com a queda dos preços dos combustíveis, a ideia gerou críticas públicas.O deputado Ritchie Torres, um democrata de Nova York, enviou uma carta a Kirby, da United, após suas declarações.“A United está planejando abertamente embolsar uma parcela significativa de qualquer economia de combustível, em vez de repassá-la aos passageiros”, escreveu Torres. “Os americanos comuns, muitos dos quais já não têm condições de viajar de avião devido aos preços, merecem algo melhor do que esse nível de ganância corporativa.”A United se recusou a comentar a carta de Torres.