Brava Energia com novo dono? Entenda o que muda para o investidor

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A Brava Energia anunciou na quinta-feira (23) que a colombiana Ecopetrol chegou a um acordo com um grupo de acionistas para comprar participação de 26% na companhia.O objetivo da empresa é assumir o controle acionário, alcançando 51% das ações com direito a voto.O comunicado divulgado ao mercado pela companhia relata também “a potencial realização” de uma OPA (Oferta Pública de Ações para a estatal colombiana atingir o controle da petrolífera brasileira, pagando um prêmio de cerca de 28% sobre o valor dos papéis nos últimos 90 dias. Leia Mais Após leilão de capacidade, ações de empresas de energia sobem na B3 Ações da Brava sobem 7% após anúncio de investimento de US$ 550 milhões Brava prevê elevar investimentos a US$ 550 milhões em 2026 com novos poços Segundo a B3, através da OPA, o Ofertante manifesta o seu compromisso de adquirir uma quantidade específica de ações ou até mesmo a sua totalidade, mediante condições, preço e prazo determinados.De acordo com Rodrigo Xavier, CEO da OZ Câmbio, esse movimento pode mudar o perfil de risco e governança da Brava e perfil de risco da companhia.“A Ecopetrol é controlada pelo governo da Colômbia, o que traz risco político e estatal para empresa, alterando o perfil de risco e decisões estratégicas da companhia, que passa a ter um fator de peso político maior”, analisa.Por outro lado, o economista Felipe Paletta, ressalta que atualmente a Brava não tem um controlador definido, o que pode trazer dificuldade de direcionamento para a companhia.“A Brava hoje é uma empresa de controle pulverizado, o que tem pontos negativos, como a falta de direcionamento de longuíssimo prazo, alguma assunção de risco no curto prazo. No entanto, com a entrada da Ecopetrol passa a ter um dono, mas um dono estatal, e aí qualquer mudança política pode trazer mais volatilidade para as ações“, explica.A Brava vai sair da bolsa?Nem toda OPA serve para “tirar a empresa da bolsa”. Muitas vezes, o mecanismo é usado só para aumentar participação ou assumir o controle da companhia.Na avaliação de Lucas Cavalcante, especialista em investimentos da Gus Consultoria Financeira, é possível que a Brava saía da bolsa, mas não é automático, já que a OPA pode ser usada tanto para aquisição de controle quanto, em um segundo momento, para fechamento de capital.“Se a Ecopetrol atingir uma participação muito elevada, especialmente acima dos níveis que permitem controle efetivo e baixa liquidez no free float, pode fazer sentido econômico avançar para um fechamento de capital. Isso reduz custos de listagem e simplifica a estrutura societária.”A oferta paga um prêmio de cerca de 28% sobre o valor dos papéis nos últimos 90 dias, o que significa na prática o prêmio que a Ecopetrol está pagando adicionalmente por ação para realizar a OPA parcial.“No fim do dia, isso é benéfico para o acionista já posicionado no papéis, pois ele vai ter a opção de vender suas ações por esse valor superior ao de mercado durante o leilão da OPA”, avalia Xavier, da OZ Câmbio.O que muda para o investidor?A entrada de um controlador como a Ecopetrol muda principalmente a leitura de longo prazo da companhia. O investidor deixa de olhar a Brava como uma empresa independente e passa a enxergar como parte de uma estratégia maior, ligada a uma estatal estrangeira.Na avaliação de Xavier, a entrada de um parceiro estratégico e operacional traz, teoricamente, maior robustez financeira e capacidade técnica para operar campos maduros.Por outro lado, o investidor deixa de ser sócio de uma empresa “corporation” (sem dono definido) para ser minoritário de uma subsidiária de uma estatal estrangeira – para ele, a dinâmica de poder e decisão será alterada.Já Cavalcante avalia que a mudança pode trazer benefícios operacionais, como acesso a capital, escala e integração com outras operações.No entanto, também muda o eixo de decisão: parte das escolhas estratégicas pode deixar de ser guiada exclusivamente por retorno ao acionista minoritário e passar a considerar interesses mais amplos do controlador.“Na prática, o investidor precisa reavaliar a tese. Não é mais só uma análise de ativos e execução operacional, mas também de governança e alinhamento com o novo controlador.”