Um novo grupo feminino da Ásia está chamando a atenção nas redes sociais. Mas, desta vez, elas não são da Coreia do Sul — são da Indonésia.O quarteto No Na tornou-se uma sensação da noite para o dia no início deste ano, após o videoclipe de sua nova música, “Work”, viralizar, acumulando mais de 9,5 milhões de reproduções no Spotify em apenas dois meses, com números semelhantes no YouTube. Sua coreografia eletrizante inspirou até um desafio de dança, após muitos se maravilharem com um movimento de ponte (backbend) realizado por uma das integrantes.Elas não são o primeiro grupo asiático a ganhar popularidade no exterior; gigantes do K-pop frequentemente lideraram as paradas globais na última década. No entanto, o Sudeste Asiático ainda não havia penetrado o mercado ocidental da mesma forma – especialmente com um grupo tão orgulhoso de suas raízes quanto o No Na. Leia Mais Dia da Mulher: 7 mulheres que fizeram a diferença na música Riize visita o Beco do Batman e prova pão de queijo; veja entrevista à CNN Integrante do ARTMS diz que grupo ampliou espectro musical “Eu não sabia que o pop indonésio era DESSE jeito!”, dizia um post viral no X com 44 mil curtidas. “Espere, quem são essas divas?”, postou outro.Em entrevista à CNN, as quatro integrantes – Esther, Baila, Christy e Shaz – disseram que esperam apresentar sua nação arquipélago, o maior país de maioria muçulmana do mundo, a um público global. Elas até apontaram referências sutis ao batik, vestimenta tradicional da Indonésia, em seus figurinos.Segundo o grupo, sua música, com letras em inglês (ocasionalmente com alguns palavrões), pode atrair ouvintes ocidentais por incorporar instrumentos que eles nunca ouviram antes.“Buscamos algo que soasse familiar para as pessoas, mas misturando elementos indonésios”, disse Esther, a vocalista principal. “Acho que é uma forma estratégica de tentar conquistar o público mainstream, mantendo nossa individualidade como indonésias por meio da música.”A vez do Sudeste Asiático?Nascidas e criadas na Indonésia, as integrantes deram um salto de fé e mudaram-se para Los Angeles para formar o No Na, estreando em maio de 2025 após dois a três anos de treinamento. Desde o início, destacaram sua identidade indonésia – até mesmo no nome. “No Na” significa “Senhorita” em Bahasa, a língua nacional.O vídeo de “Work” abre com o som dos pratos balineses chamados ceng-ceng, e as músicas do grupo frequentemente incorporam outros instrumentos tradicionais, como o gamelan (conjunto típico de Java e Bali) e o suling (flauta de bambu da Java Ocidental). No videoclipe de estreia, “Shoot”, elas aparecem em exuberantes terraços de arroz e cachoeiras em Bali.“Sempre tentamos pedir à equipe que inclua elementos da nossa cultura, seja nas roupas, na música ou na coreografia”, disse Shaz, a integrante mais jovem do grupo, todas na casa dos 20 anos.Elas acrescentaram que a identidade de “garotas da ilha” (island girls) é uma homenagem à criação em um país de 17.000 ilhas. “O concept de uma island girl é de alguém mais brincalhona, despreocupada, que não leva as coisas tão a sério e flui com o momento. Eu adoraria que as pessoas ouvissem nossa música e sentissem exatamente isso”, afirmou Esther.Elas se juntam a uma leva de músicos do Sudeste Asiático em ascensão – incluindo os artistas indonésios Niki e Rich Brian, ambos representados pela mesma gravadora do No Na, a 88rising. O grupo filipino de oito integrantes BINI se apresentou no Coachella no início deste mês, quatro anos após a rapper tailandesa Milli se apresentar no festival da Califórnia.O sucesso desses artistas sinaliza um apetite crescente no exterior pelo entretenimento asiático – mais evidente na popularidade do K-pop, com grupos como BTS e Blackpink atraindo multidões ocidentais ao misturar batidas contemporâneas com a cultura tradicional coreana. Em março, o BTS realizou um show de retorno transmitido ao vivo em frente ao histórico Palácio Gyeongbokgung, na Coreia do Sul.Entre os jovens americanos e ocidentais, o fascínio pela Ásia vai além da música. Dos bonecos Labubus à jaqueta viral Adidas Tang, as redes sociais nos últimos meses tornaram-se cada vez mais obcecadas pela cultura e estética chinesas, fenômeno às vezes conhecido como “Chinamaxxing”.Percebendo um mercado lucrativo, indústrias globais estão se voltando para a região. O Eurovision fará sua estreia na Ásia em 2026, com a grande final programada para Bangcoc. Os participantes vêm de 10 países, incluindo Coreia do Sul, Filipinas, Malásia e Laos.O No Na está surfando essa onda, com uma apresentação recente em um festival em Tóquio – e outro festival de música agendado para Los Angeles ainda este ano. Mas sua maior aspiração as leva de volta para casa.“O local dos sonhos seria um grande show na Indonésia. Nunca fizemos isso antes, mas precisamos fazer”, concluiu Baila.Guia K-pop: conheça 5 supergrupos formados por idols já conhecidos