O mercado de lajes corporativas de alto padrão em São Paulo manteve, no início de 2026, a trajetória positiva observada ao longo do ano passado, segundo avaliação do BTG Pactual.Em relatório, os analistas Daniel Marinelli e Matheus Oliveira pontuaram que, entre janeiro e março (1T26), a taxa de vacância do setor chegou a 13,4%, uma queda de 1,1% em relação ao trimestre imediatamente anterior.O movimento ocorreu mesmo diante de uma adição de estoque de aproximadamente 26 mil metros quadrados (m²) no período, o que, de acordo com a dupla, evidencia a continuidade de um ambiente de demanda consistente.A absorção líquida, por sua vez, somou 79,5 mil m² no 1T26, contra 109,5 mil m² no 4T25, mantendo ainda assim, na visão do BTG, o patamar elevado e reforçando a capacidade do mercado de absorver novos empreendimentos.Cabe lembrar que absorção líquida representa a diferença entre a área locada e a área devolvida. Em outras palavras, é um indicador que mostra o saldo efetivo da procura por escritórios.“Para os próximos trimestres, a combinação entre absorção consistente e novas entregas com negociações relevantes para pré-locações sustenta a visão de continuidade do ciclo positivo, ainda que com maior seletividade em determinadas regiões e ativos”, afirmaram Marinelli e Oliveira.Lajes corporativas em São Paulo (A+): histórico de preços e vacância (Imagem: divulgação)Faria Lima supera R$ 300 por metro quadradoSegundo os analistas, a dinâmica regional permaneceu favorável entre janeiro e março, com destaque para lugares como Faria Lima, Pinheiros e Chucri Zaidan.Na Faria Lima, por exemplo, conhecida por ser o centro financeiro do país, os preços pedidos em lajes corporativas de alto padrão superaram os R$ 300 por m², o que indica combinação entre oferta restrita e demanda aquecida por imóveis de maior qualidade.Em paralelo, Pinheiros e Rebouças seguem apresentando, na visão da dupla, boa liquidez e níveis robustos de absorção, enquanto a Chucri Zaidan continua concentrando transações de maior porte.Lajes corporativas em São Paulo (A+) (Imagem: divulgação)“De forma geral, foi possível observar a continuidade do movimento de flight-to-price [em São Paulo], com empresas buscando alternativas em regiões adjacentes, o que sustenta as ocupações fora dos eixos mais tradicionais”, disse o BTG.Flight-to-price, cabe destacar, descreve a migração de companhias para edifícios mais modernos e eficientes, muitas vezes localizados em bairros alternativos, à procura de melhor relação entre custo e qualidade.“Os preços pedidos [em aluguéis] avançaram no agregado e mantiveram tendência de valorização, com expectativa de continuidade desse movimento ao longo de 2026. Proprietários seguem adotando postura firme nas negociações, em um contexto de oferta limitada de grandes lajes e demanda resiliente”, prosseguiu o banco.Pressão pontual de vacância na Vila OlímpiaApesar do cenário positivo no setor em geral, o BTG avalia que a região da Vila Olímpia deve apresentar aumento de vacância nos próximos trimestres, devido a devoluções relevantes já mapeadas e à uma expectativa limitada de absorção no curto prazo.De acordo com a instituição, esse movimento contrasta com outros bairros, onde a disponibilidade de grandes áreas permanece mais restrita.“Ainda assim, o impacto tende a ser localizado, sem alterar de forma relevante o equilíbrio geral do mercado de lajes corporativas de alto padrão em São Paulo”, afirmou o banco.