Aos 44 anos, Kaká, mascote da conquista do penta, reverencia a “Família Scolari”

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Nascido em 22 de abril de 1982, Ricardo Izecson dos Santos Leite, o Kaká, é um dos grandes talentos da história do futebol brasileiro. Em 2002, com apenas vinte anos, foi campeão do mundo pela seleção. Para os críticos, o jogador poderia ter sido mais utilizado por Felipão durante a campanha do penta, no Japão e na Coreia do Sul. Considerado mascote do grupo, entrou em campo apenas na terceira partida, contra a Costa Rica, ao substituir Rivaldo, no andamento do duelo válido pela fase de grupos. Na final, diante da Alemanha, Kaká estava pronto para adentrar ao gramado já nos descontos, mas não deu tempo. Como titular absoluto, participou nas Copas de 2006, na Alemanha, e de 2010, na África do Sul. Um dos marcos da carreira veio em 2007, quando foi eleito o melhor do mundo pela FIFA e pela revista France Football. Natural de Gama, no Distrito Federal, o meia marcou época no São Paulo, mas também se destacou no Milan (Itália), no Real Madrid (Espanha) e no Orlando City (Estados Unidos). Em um bate-papo com a coluna, o ex-atleta não esconde a emoção de ter participado de um grupo tão seleto em 2002, no último mundial conquistado pela seleção brasileira: Memória da Pan: O que representou para você como atleta ser campeão do mundo em 2002?Kaká: Ser campeão do mundo representou a realização de um sonho na minha vida. Também me motivou a estar sempre buscando um aperfeiçoamento profissional para estar entre os melhores, tanto nos clubes quanto na seleção.Memória da Pan:  Como era a união do grupo e o que poderia falar sobre Felipão?Kaká: O grupo era muito unido, cada um sabia da sua responsabilidade e importância. Tínhamos grandes nomes, muitos deles não jogavam com tanta frequência, mas todos entenderam que se o Brasil fosse campeão, todos ganhariam com isso. Felipão foi fundamental em criar essa mentalidade, de convergir diferentes interesses na mesma direção. Não por acaso, aquele grupo de jogadores foi batizado como “família Scolari”.Memória da Pan: Como eram as preleções e as conversas entre vocês?Kaká: As preleções e conversas eram momentos muito importantes. Muitas motivacionais, outras engraçadas e algumas exortações também. Naquela época não tínhamos acesso a muita tecnologia ainda, isso fez com que os momentos das refeições, das viagens e traslados fossem ótimos momentos para boas conversas.Memória da Pan: Participar daquela Copa foi importante para você, claro. Porque?Kaká: Foi importante em vários níveis. Primeiro por colocar os atletas que ganham uma Copa do Mundo em uma prateleira diferente. Me deu uma credencial importante para o mundo do futebol. Me trouxe visibilidade em nível nacional e internacional, e também trouxe mais responsabilidade, o que me fez aprender e ter que lidar com diversas situações.Memória da Pan: Sobre a campanha vitoriosa, qual jogo é mais marcante para você?Kaká: São dois momentos muito marcantes, o momento que eu faço a minha estreia contra a Costa Rica, e a final, que quase tive a oportunidade de entrar, quando o juiz apita o final do jogo, eu estava na beira do campo para jogar uns minutinhos. Porém, em uma Copa do Mundo, cada momento é importante e guardo comigo ótimas lembranças de cada jogo e cada momento vivido naqueles 52 dias.Memória da Pan: O que passou pela sua cabeça ao segurar a taça de campeão pela primeira vez?Kaká: Quando eu segurei aquela taça, eu só conseguia agradecer a Deus por ter me dado essa oportunidade, de tão jovem ter aquele sonho realizado, e de poder mostrar por meio da conquista o poder “Dele” na minha vida.Memória da Pan: Como foi a chegada ao Brasil, depois do penta. O que mais te marcou?Kaká: A chegada ao Brasil foi incrível. Ver a alegria do nosso povo nas ruas, diferentes gerações, homens e mulheres, todos celebrando a conquista foi inesquecível. O que mais me marcou foi ver a força do esporte, todos unidos em um momento de celebração, sem barreiras, sem competições, sem lados ou extremos. Éramos todos fãs do esporte, amantes do futebol celebrando a conquista do Brasil.