‘Motor’ do Oceano Atlântico está mais instável do que se imaginava, alerta estudo

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A Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC), “motor” que regula o clima da Terra, deve enfraquecer cerca de 51% até 2100. É o que aponta um estudo publicado na revista Science Advances recentemente.O dado é alarmante porque supera drasticamente as estimativas anteriores. E sugere que a estabilidade desse sistema de correntes é muito menor do que se imaginava até agora.Liderada pelo pesquisador Valentin Portmann, da Universidade de Bordeaux, a pesquisa usou métodos de observação refinados para corrigir distorções em modelos climáticos. Os resultados indicam que o enfraquecimento real da circulação será 60% mais intenso do que a média sugerida por simulações internacionais convencionais. Isso exige uma revisão urgente das estratégias globais de adaptação.Matemática avançada e níveis de sal revelam falha em previsões anterioresAté recentemente, as projeções mais aceitas indicavam uma redução de aproximadamente 32% na força da AMOC. No entanto, ao confrontar os modelos matemáticos com dados reais do oceano, cientistas descobriram que a maior parte dessas simulações subestimava o risco. Isso porque ignoravam a salinidade superficial no Atlântico Sul. Essa variável é um dos pilares que mantém a circulação funcionando. Quando os dados foram corrigidos, a previsão de declínio aumentou para mais da metade da força atual do sistema.A AMOC funciona como uma imensa esteira rolante térmica. Ela transporta águas quentes dos trópicos para o Norte, onde o líquido esfria, torna-se mais denso e afunda para retornar ao sul pelas profundezas. O sal é fundamental nesse processo, pois a água salgada torna-se mais pesada ao perder calor, o que facilita esse mergulho. A AMOC funciona como uma imensa esteira rolante térmica no planeta – Imagem: NASA/Goddard Space Flight Center Scientific Visualization StudioModelos que operavam com previsões de águas “doces” demais no Atlântico Sul projetavam uma estabilidade artificial que não condiz com a realidade.Para chegar a essa conclusão, a equipe de Portmann utilizou uma técnica chamada regressão linear regularizada por ridge. Esse método estatístico permitiu analisar diversas variáveis oceânicas ao mesmo tempo para identificar qual modelo melhor se ajustava à realidade. A ferramenta foi validada por meio de um teste no qual o sistema precisava “adivinhar” as previsões de modelos climáticos conhecidos com base apenas em dados de observação. O objetivo foi provar que esse é o método mais eficaz para reduzir incertezas científicas.Na prática, o enfraquecimento de 50% causará um redesenho climático na Europa. Enquanto o aquecimento global continua a elevar as médias das temperaturas por causa dos gases de efeito estufa, o enfraquecimento das correntes causará invernos mais intensos em países como Finlândia, Noruega e Islândia. Isso ocorre porque menos calor chegará ao norte pelo oceano, o que vai criar padrões climáticos imprevisíveis onde verões escaldantes podem ser seguidos por geadas extremas no inverno.Embora o estudo ainda não aponte para um colapso total imediato, ele reforça que o sistema pode estar muito mais próximo de um ponto de ruptura do que se acreditava. Cientistas alertam que o planejamento para esse enfraquecimento não é uma “rendição”, mas uma necessidade prática. Reduzir as emissões de carbono continua a ser a única forma de diminuir a entrada de água doce nos mares do norte. E evitar que a principal corrente do Atlântico perca ainda mais força antes do fim do século.(Essa matéria também usou informações de Phys.org.)O post ‘Motor’ do Oceano Atlântico está mais instável do que se imaginava, alerta estudo apareceu primeiro em Olhar Digital.