Sell-off na B3: o que fez o Ibovespa cair 10 mil pontos em menos de duas semanas?

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Em menos de duas semanas, uma queda de cerca de 10 mil pontos. De quase bater os 200 mil pontos, chegando a uma máxima de 199.355 pontos em 14 de abril, o Ibovespa fechou a sessão da última segunda-feira (27) a 189.579 pontos, na mínima do dia, e com uma baixa de 4,90% ou de 9.776 pontos. A bolsa paulista continua mostrando saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$ 10,1 bilhões até o dia 23, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$ 14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita de 200 mil em meados do mês.Para a equipe da XP Investimentos, a combinação de um micro mais forte nos Estados Unidos com um rali de alívio nas bolsas globais, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio, parece estar reduzindo a intensidade dos fortes fluxos estrangeiros.O Santander reforça em relatório de estratégia que o sell-off recente do mercado brasileiro foi provocado principalmente por rotação global de fluxo, e não por deterioração dos fundamentos domésticos.Os estrategistas avaliam que, desde meados de abril, houve saída líquida de cerca de R$ 5 bilhões de investidores estrangeiros da bolsa brasileira, mas que o movimento coincidiu com forte valorização de bolsas asiáticas ligadas à tecnologia, como Taiwan e Coreia do Sul.Leia também: Ibovespa: mercado eleva projeções, mas não vê mais “pechincha”; o que fazer?No período, esses mercados avançaram de forma relevante, enquanto o MSCI Brasil acumulou desempenho negativo. Para o Santander, esse comportamento reflete uma rotação tática global, impulsionada pelo renovado otimismo com inteligência artificial e semicondutores, e não uma reavaliação negativa dos fundamentos brasileiros. A casa destaca que o sell-off ocorreu mesmo em um contexto de forte alta do petróleo, variável que tradicionalmente sustenta mercados emergentes exportadores de commodities como o Brasil.Esse descolamento entre o desempenho das commodities e o comportamento da bolsa brasileira sugere, na avaliação do banco, que parte relevante do mercado global passou a precificar uma normalização mais rápida dos riscos geopolíticos no Oriente Médio. Com isso, o petróleo teria se beneficiado de fatores de oferta no curto prazo, enquanto os ativos de risco migraram para teses estruturais de crescimento, especialmente no setor de tecnologia.Leia tambémEUA estão em estagflação e corte de juros agora seria erro grave, alerta Ray DalioFundador da Bridgewater diz que situação exige cautela do banco central americano: “O Federal Reserve perderia sua credibilidade, particularmente agora”Dólar seguirá abaixo de R$ 5? Analistas veem novas quedas da moeda no curto prazoContudo, olhando para um prazo mais longo, divisa americana pode ganhar mais volatilidade e força a depender do cenário eleitoral no segundo semestreO relatório também chama atenção para a recente abertura dos spreads de crédito corporativo no Brasil. Segundo o Santander, esse movimento tem caráter predominantemente técnico, influenciado por menor liquidez e ajustes de posicionamento, e não indica aumento sistêmico do risco de crédito das empresas brasileiras.Na leitura estratégica, o banco avalia que o ajuste recente nos preços dos ativos foi excessivo frente às condições macroeconômicas locais, abrindo espaço para uma reprecificação positiva caso o fluxo estrangeiro volte a se estabilizar. O nível atual da bolsa já embute um cenário bastante conservador, o que torna o mercado mais sensível a qualquer sinal de reversão do movimento global de rotação.Apesar da volatilidade no curto prazo, o Santander reforça que o Brasil segue bem posicionado dentro do universo de mercados emergentes, tanto em termos de valuation quanto de qualidade dos ativos.(com Reuters)The post Sell-off na B3: o que fez o Ibovespa cair 10 mil pontos em menos de duas semanas? appeared first on InfoMoney.