A Engie Brasil Energia (EGIE3) informou ao mercado a contratação de uma assessoria financeira para conduzir estudos sobre qual a melhor estrutura para uma possível transferência de 40% do capital social da Jirau Energia para a companhia, mostra fato relevante divulgado na noite de segunda-feira (27). Atualmente, essa fatia pertence à Engie Brasil Participações (EBP), a acionista controladora da companhia. Dessa maneira, a Engie avalia junto com o Comitê Especial Independente para Transações com Partes Relacionadas o melhor caminho para a operação. No entanto, até o momento, não há decisão tomada sobre o assunto e nem definição dos termos e condições, que permanecem sujeitos à conclusão de análises internas, aprovações societárias aplicáveis e condições de mercado. A Engie Brasil sinalizou em dezembro de 2025 a intenção de sua controladora de transferir todas as ações que detém da Jirau para a companhia. A Jirau é uma companhia do setor elétrico focada em geração e comercialização de energia, titular daconcessão da Usina Hidrelétrica Jirau, localizada no rio Madeira, no Estado de Rondônia, com 3.750 MW de capacidade instalada.No fato relevante divulgado em dezembro, a Engie destacou que, caso a operação se concretize, uma das alternativas em análise é a realização de aporte da participação da EBP em Jirau no capital da companhia.O cenário no setor elétrico As grandes geradoras de energia do Brasil precisam operar com contingências e nível de conservadorismo maior diante do cenário geopolítico conturbado, mesmo que o setor elétrico brasileiro esteja menos exposto a riscos diretos da guerra no Oriente Médio.No início deste mês, o CEO da Engie Brasil, Eduardo Sattamini, avaliou que o momento de maior risco no ambiente empresarial, com piora no mercado de crédito, demanda uma postura mais conservadora das geradoras na comercialização de energia.“A situação geopolítica impactando no custo do combustível, que vai impactar no custo do atendimento e da demanda de pico, e você vê empresas expostas a esse momento… Eu preciso me preservar, eu não vou pegar essa energia que eventualmente nem tenho e jogar no mercado a um preço baixo”, disse o executivo.A declaração de Sattamini ocorre em um momento em que o mercado de comercialização de energia elétrica do Brasil enfrenta forte retração dos negócios, com empresas deixando totalmente de atuar no segmento ou reduzindo suas operações.Comercializadoras independentes, sem portfólio próprio de geração, têm feito críticas às grandes geradoras brasileiras, apontando que a postura retraída nas vendas de energia está secando o mercado.“‘Poder de mercado’, ‘falta de liquidez’, não é isso… A gente tem por obrigação, como executivos de empresas listadas, ter um nível de conservadorismo na operação, e isso é o que a gente tem feito”, afirmou o CEO da Engie Brasil.*Com informações da Reuters