Confiança nos EUA cai na Europa: só 28% acredita na aliança, indica estudo

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Os dados indicam que os europeus reconhecem a União Europeia como uma potência económica e referência em qualidade de vida. No entanto, apenas cerca de um terço considera a UE uma potência militar, evidenciando uma perceção de influência internacional limitada.Perante crises como a guerra na Ucrânia ou o conflito em Gaza, os cidadãos esperam uma liderança europeia mais assertiva e alinhada com o peso económico e político do bloco.Relação com os Estados Unidos perde forçaO estudo mostra também uma mudança na perceção da relação transatlântica. Apenas 28% dos inquiridos acredita que os Estados Unidos continuarão a ser um parceiro fiável, enquanto cerca de 50% defende que a UE deve procurar novas alianças internacionais.Ainda assim, a cooperação não é descartada:44% apoia a manutenção da relação UE-EUA, embora de forma mais pragmática;As opiniões variam entre países, refletindo uma Europa mais fragmentada.A tendência aponta para uma UE mais independente, que coopera com os EUA apenas quando há interesses comuns.Europa olha para a Ásia e reforça estratégia comercialNo campo económico, o estudo destaca uma mudança clara nas prioridades:Ásia surge como parceiro estratégico prioritário, à frente dos EUA;74% acredita que os EUA usam tarifas como instrumento de pressão;70% defende que a UE deve responder com contra-tarifas.Ainda assim, os europeus impõem limites: não estão dispostos a abdicar de segurança alimentar ou direitos digitais em troca de preços mais baixos.Para 80% dos inquiridos, os acordos comerciais são também instrumentos de diplomacia e influência política.‘Europa primeiro’, mas com limites económicosA maioria dos europeus apoia uma União Europeia mais autossuficiente, defendendo:Investimento em tecnologia;Segurança alimentar e energética;Reforço do Mercado Único.No entanto, o fator económico pesa. Apesar de 76% preferirem produtos europeus, apenas 50% estão dispostos a pagar mais por eles.Os dados refletem o impacto do aumento do custo de vida nas decisões de consumo.Solidariedade europeia condicionada pela economiaOs europeus mostram-se solidários em questões geopolíticas – 72% apoia a Dinamarca e a Gronelândia face a interesses dos EUA – mas estabelecem limites claros.Mais de metade dos inquiridos considera que a estabilidade económica interna deve ser prioritária, sinalizando que o apoio a decisões estratégicas depende da proteção do poder de compra.Apesar das preocupações com inflação, segurança e instabilidade global, o estudo revela um otimismo moderado: mais de metade acredita que os direitos humanos e a democracia na Europa se manterão fortesPara Els Bruggeman, responsável de Advocacy da Euroconsumers, o estudo revela uma mudança estrutural:«Os europeus querem mercados abertos e uma Europa capaz de se afirmar por si própria, protegendo os seus valores e qualidade de vida.» A responsável sublinha ainda que os consumidores querem ter um papel mais ativo. «Não estão a pedir à UE que se afaste do mundo, mas que lidere com confiança», garante.O conteúdo Confiança nos EUA cai na Europa: só 28% acredita na aliança, indica estudo aparece primeiro em Revista Líder.