A Oncoclínicas (ONCO3) anunciou ao mercado a descontinuação da divulgação de guidance (projeções) da companhia, mostra fato relevante divulgado na noite de quarta-feira (22). A decisão tem em vista fatores macroeconômicos que o setor de saúde vem enfrentando ao longo dos últimos anos, associado ao desempenho financeiro da companhia nos últimos trimestres. “A companhia segue monitorando seu desempenho operacional e financeiro e manterá seus acionistas e mercado em geral informados sobre ações adicionais bem como novos desenvolvimentos a respeito do assunto”, diz o documento. No início deste mês, a Oncoclínicas reportou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, aumentando as perdas de R$ 759 milhões que já haviam sido registradas no mesmo período de 2024.O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado foi de R$ 238,8 milhões, recuo de 24% sobre o quarto trimestre de 2024.A receita líquida no 4T25 também registrou queda, sendo 12,6% inferior ao mesmo período de 2024, para R$ 1,37 bilhão.A empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.Pressão financeira na OncoclínicasA empresa surgiu com tratamentos oncológicos como o core do negócio. No entanto, após o IPO em 2021, a Oncoclínicas expandiu o foco de clínicas que realizavam o diagnóstico e tratamentos como radioterapia e quimioterapia para uma parte de alta complexidade do tratamento oncológico.Para fomentar a continuidade da expansão, a estratégia se voltou para aquisições de hospitais. O movimento, contudo, não deu certo, dada a falta de expertise para gerir outras áreas hospitalares além da oncológica.Como resultado, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e trabalhava na construção de três outros, vem lidando com piora nos resultados, alta alavancagem e elevado consumo de caixa.Nesse processo, a companhia passou por diversas capitalizações e chegou a estar envolvida com o Banco Master, com parte de caixa da companhia aplicado em CDBs do banco de Daniel Vorcaro, que injetou capital na companhia.Aprofunde aqui: Oncoclínicas (ONCO3) detém R$ 478 milhões em CDBs do Banco Master e fecha acordo para resgate (em parcelas); veja detalhesFôlego financeiro Na última semana, o conselho de administração da Oncoclínicas aprovou proposta apresentada pela MAK Capital e pela Lumina Capital para dar fôlego financeiro à companhia. A proposta será financiada pela Lumina, no valor entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, a depender do valor das garantias disponíveis.A injeção de dinheiro terá como objetivo viabilizar a aquisição de medicamentos pela companhia junto à OncoProd e preservar a geração de receitas de ambas as companhias e a continuidade de sua cadeia de fornecimento essencial.A operação será garantida por meio de cessão fiduciária de recebíveis de contratos com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras.Para atender às condições impostas por MAK e Lumina, o conselho aceitou a renúncia imediata de Bruno Ferrari como membro e vice-presidente do conselho, e nomeou o indicado pela MAK, Mateus Affonso Bandeira, e o CEO Carlos Gil Ferreira para ocupar as vagas abertas no conselho até a assembleia de acionistas de 30 de abril de 2026.