A perspectiva de redução de área plantada de trigo no Brasil tem contribuído para a sustentação dos preços no mercado interno. Segundo o levantamento do Cepea, a área cultivada que pode atingir o menor patamar desde 2020 e ajuda a explicar a firmeza das cotações.Os preços atuais estão próximos de R$ 1.342,19 por tonelada, enquanto no fim de março estavam ao redor de R$ 1.284,93 por tonelada. Nesse intervalo, houve uma alta de R$ 57,26, o que representa avanço de cerca de 4,46% no período.A Conab também projeta a safra de 2026 em 6,9 milhões de toneladas, volume 12,3% inferior ao de 2025, com redução de 5,2% na área cultivada e impacto da produtividade diante de margens apertadas e condições climáticas incertas. Leia Mais Farinha de trigo pode subir em São Paulo já a partir de abril Brasil vai plantar menos trigo e importar mais: impacto chega ao consumidor Moinho Globo prevê ano difícil e conservador para setor de trigo Com isso, a área nacional deve somar 2,22 milhões de hectares, queda de 9,2% em relação a 2025, enquanto a produtividade média é estimada em 2.979 quilos por hectare, recuo de 7,5%, resultando em produção de 6,6 milhões de toneladas, 16% inferior à safra anterior, com redução superior a 1,2 milhão de toneladas.Pesquisadores do Cepea apontam que esse cenário reflete a baixa rentabilidade observada nas últimas safras, somada às incertezas climáticas e aos riscos de comercialização. Desde o segundo semestre de 2025, os preços no Sul vêm sendo negociados abaixo dos patamares mínimos estabelecidos pela Política Nacional de Preços Mínimos, o que desestimula o plantio.O Presidente da Comissão de Trigo da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Hamilton Jardim, a quebra no Rio Grande do Sul tende a ser acentuada, independentemente do nível tecnológico empregado. “No Rio Grande do Sul a quebra vai ser acentuadíssima, sem considerar a tecnologia utilizada. A descapitalização dos produtores é muito grande”, afirma.A Safras & Mercado também avalia que a retração nas principais regiões produtoras está ligada a uma combinação de fatores econômicos e climáticos. Segundo o analista de mercado da consultoria, Élcio Bento, o principal desestímulo vem da piora na relação de troca entre o preço do trigo e o custo dos insumos, com destaque para os fertilizantes, especialmente os nitrogenados, que seguem pressionando os custos de produção.A Safras & Mercado também alerta para a possibilidade de ocorrência de El Niño no segundo semestre, o que preocupa produtores, principalmente no Sul do país. “O fenômeno tende a aumentar a frequência de chuvas em fases críticas do desenvolvimento do trigo, elevando o risco de problemas de qualidade, como maior incidência de doenças na cultura e presença de micotoxinas”, informou.A liderança ainda ressalta que os custos seguem pressionados por fatores logísticos e geopolíticos. “O custo de produção está altamente impactado por esse problema do Estreito de Ormuz e também pelos fertilizantes que por lá transitam, principalmente os nitrogenados. Consequentemente, o custo da safra vai ser alto”, diz.Hamilton Jardim também chama atenção para as limitações no acesso a crédito e seguro rural. “O crédito é bastante restrito e o seguro, além de caro, muitas vezes não atende às necessidades do produtor. Isso acaba elevando os custos e impactando diretamente a rentabilidade. A situação, de forma geral, é bastante delicada”, afirma.O analista da Safras & Mercado destacou que o baixo volume de vendas de sementes certificadas reforça a expectativa de retração da área cultivada ou de menor investimento tecnológico nas lavouras, em um cenário que tende a manter os preços sustentados diante da oferta mais restrita.O cenário no Paraná tem mais uma tendência de quebra da safra de inverno. Com exceção da canola, que deve crescer pela relação de troca ser favorável. “nós vamos ter um inverno com pouca área cultivada, infelizmente”, destacou à CNN.A consultoria Safras & Mercado aponta avanço da área plantada nas regiões do eixo tradicional de produção. No caso, Minas Gerais deve ampliar a área em 24%, passando de 125 mil para 155 mil hectares, com produção estimada em 500 mil toneladas. Goiás e o Distrito Federal devem registrar aumento de 17,6% na área, alcançando cerca de 80 mil hectares, com produção projetada em 360 mil toneladas.https://stories.cnnbrasil.com.br/agro/por-que-o-dolar-e-importante-para-o-agro-brasileiro/