Desenrola 2.0: Uso do FGTS para quitar dívida não resolve problema, diz CNC

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A CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) criticou nesta terça-feira (28) o uso de recursos do FGTS (Fundo de Garantia pelo Tempo de Serviço) para pagamento de dívidas.A medida será um dos mecanismos do Desenrola 2.0, novo programa do governo federal sobre endividamento.Na visão da CNC, o uso de dinheiro do FGTS pelos endividados “não é uma solução permanente” para o problema da inadimplência, e, além disso, prejudica uma “fonte de poupança” para muitos brasileiros.“O  programa tem que trazer mecanismos que resolvam o endividamento de forma mais definitiva. O uso do FGTS é um problema porque o Brasil já é um país sem poupança, e um os meios que fazem os brasileiros terem alguma reserva será utilizado para dívidas, isso não é o ideal”, disse Fábio Bentes, economista-chefe da CNC. Leia Mais 20% dos apostadores veem bets como investimento no Brasil, aponta Anbima FGTS para quitar dívida pode aumentar endividamento? Especialistas comentam Preço do cacau sobe 2,55% em NY com restrições na oferta global A possibilidade de utilização de recursos atualmente no FGTS para renegociar dívidas já foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O programa deve ser anunciado nos próximos dias pelo governo.Os beneficiários do programa poderão usar até 20% dos seus depósitos no FGTS. De acordo com o ministro da Fazenda, a medida será “um saque limitado dentro do programa, vinculado ao pagamento das dívidas, mas não necessariamente sendo maior do que o débito”, explicou Durigan.Para o economista-chefe da CNC, a injeção de recursos do FGTS na economia nacional pode ter efeito no curto prazo, tanto para o pagamento de débitos imediatos quanto para o aumento do consumo em comércio e serviços.“Ao longo prazo, a medida pode ter até efeitos contrários, como inflação e a tomada de novas dividas futuras se mais nada for feito”, afirmou.O novo DesenrolaO programa de renegociação de dívidas do governo deve ser apresentado em fases, com três grupos focais: famílias, informais e pequenas empresas. Na primeira etapa, serão beneficiadas as pessoas físicas.Além disso, no chamado Desenrola 2.0, os juros cobrados nos refinanciamentos devem ficar abaixo de 2% ao mês. Os descontos oferecidos pelos bancos podem ser de 20% a 90% do total da dívida, incluindo juros e o principal.Durigan diz que descontos para beneficiários do Desenrola 2.0 podem chegar a 90% | CNN 360°