Após as apresentações de Steven Molo (defesa de Elon Musk) e William Savitt (defesa da OpenAI), chegou a vez de a Microsoft se defender no tribunal federal de Oakland nesta terça-feira (28). Russell Cohen, advogado principal da companhia, seguiu a linha da OpenAI ao classificar as queixas de Musk como oportunistas, destacando que o bilionário nunca se opôs à aliança entre as empresas até que a inteligência artificial se tornasse um sucesso comercial e global.O silêncio de Musk sobre o aporte de US$ 1 bilhãoUm dos argumentos centrais da Microsoft foca na cronologia dos fatos. Segundo Cohen, em depoimento acompanhado pelo The New York Times, Musk não apenas estava ciente da transição da OpenAI para um modelo lucrativo, como continuou a fazer doações para a entidade durante esse processo.Parceria de 2019: o advogado ressaltou que Musk não levantou nenhuma objeção quando a Microsoft fechou seu primeiro grande acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI em 2019.Fator “dor de cotovelo”: para a Microsoft, a insatisfação de Musk só se manifestou após o lançamento do ChatGPT, quando o laboratório de pesquisa se transformou em um fenômeno global.Microsoft nega “puxar as cordas” de Sam AltmanA defesa rebateu diretamente a narrativa de Steven Molo, advogado de Musk, que descreveu a Microsoft como a arquiteta que “puxa as cordas” nos bastidores para manter Sam Altman no poder e bloquear os interesses de Musk.Russell Cohen descreveu um cenário oposto, citando a demissão temporária de Altman pelo conselho da OpenAI em 2023. De acordo com o advogado, o episódio foi “caótico” para o CEO da Microsoft, Satya Nadella. “A Microsoft não sabia de nada disso com antecedência”, afirmou Cohen. “A Microsoft também enfrentava uma crise”, disse, tentando desvincular a ideia de que a empresa exerce controle total sobre as decisões da OpenAI.Complexidade jurídica e próximos passosO julgamento entra agora em uma fase crítica. Enquanto a defesa foca na suposta quebra de missão da organização sem fins lucrativos, as acusações de práticas antitruste (anticompetitivas) feitas por Musk contra a Microsoft e a OpenAI não serão discutidas nesta etapa inicial.A juíza Yvonne Gonzalez Rogers sinalizou que uma segunda fase focada em antitruste pode sequer acontecer, o que coloca ainda mais pressão sobre os argumentos de “traição de missão” apresentados por Musk. Após os argumentos da Microsoft e um breve intervalo, o próprio Elon Musk deve assumir o banco das testemunhas para prestar depoimento, um dos momentos mais aguardados do caso.O post Microsoft: Musk só contestou parceria com OpenAI após sucesso do ChatGPT apareceu primeiro em Olhar Digital.