Em uma operação liderada pela Marinha mexicana, forças federais prenderam um dos supostos líderes do CJNG (Cartel Jalisco Nova Geração) e o possível sucessor de Nemesio “Mencho” Oseguera Cervantes, líder do cartel que morreu após uma operação federal em fevereiro.O suspeito de ser o possível sucessor de El Mencho é Audias Flores Silva, também conhecido como “El Jardineiro”, que antes de ser detido já tinha um mandado de prisão em aberto no México, além de ser procurado pelas autoridades dos Estados Unidos por crimes relacionados a drogas.A CNN entrou em contato com a Procuradoria-Geral do México para saber de qual crime Flores Silva é acusado e se ele já possui representação legal, e aguarda uma resposta.A prisão ocorre em um momento crucial para o México, onde a segurança é um ponto de tensão às vésperas da Copa do Mundo; além disso, a pressão dos EUA por medidas mais duras contra os cartéis permanece forte desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Jovem francês pode ser preso por lamber canudos de máquina em Singapura EUA apreendem e liberam navio no Mar Arábico por suspeita de viagem ao Irã Governo Trump toma medidas para acelerar deportações de crianças imigrantes Como a operação foi realizadaAs forças de segurança mexicanas cercaram uma cabana na comunidade de El Mirador, no estado de Nayarit, onde Flores Silva estava sendo protegido por um esquema de segurança composto por cerca de 30 caminhonetes e mais de 60 homens armados, de acordo com um comunicado da Marinha.Os guarda-costas de Flores Silva se distribuíram como tática de distração, mas ele foi localizado enquanto tentava se esconder em um cano de esgoto.“A operação foi realizada cirurgicamente, sem a necessidade de disparar um único tiro, sem mortes, feridos ou danos colaterais”, afirmou a Marinha.Vídeos compartilhados nas redes sociais por Omar García Harfuch, secretário federal de Segurança, mostram imagens aéreas da prisão, com helicópteros sobrevoando a área durante a operação.A Marinha mexicana indicou que a operação foi resultado de 19 meses de vigilância e envolveu mais de 500 pessoas, seis helicópteros e aeronaves de inteligência e reconhecimento.A operação foi “planejada, desenvolvida e executada” pela Marinha, enquanto o SSPC (Ministério da Segurança e Proteção do Cidadão) e a FGR (Procuradoria-Geral da República) participaram da coordenação.Sucessor do traficante El MenchoSegundo informações do Departamento de Estado dos EUA publicadas em 2021, Flores Silva era, na época, um colaborador próximo de El Mencho, que durante anos foi o principal líder do CJNG e um dos narcotraficantes mais procurados do mundo.Investigações da DEA (Drug Enforcement Administration) e da HSI (Homeland Security Investigations, o principal braço investigativo do Departamento de Segurança Interna dos EUA) “revelam que Flores Silva controla vários laboratórios de metanfetamina no centro de Jalisco e no sul de Zacatecas”, escreveu o Departamento de Estado em 2021.“No controle do fluxo de drogas ilícitas destinadas à importação para os Estados Unidos, Flores Silva supervisiona a operação de diversas aeronaves e pistas de pouso clandestinas utilizadas para fins ilícitos”, afirmou o Departamento de Estado.“Além disso, Flores Silva controla caminhões de carga usados para transportar cocaína da América Central para o México, bem como veículos de passageiros usados para transportar diversos narcóticos ilícitos do México para células de distribuição do CJNG nos Estados Unidos, localizadas na Califórnia, Texas, Illinois, Geórgia, Washington e Virgínia”, acrescentou o Departamento.Por outro lado, também em 2021, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos o identificou como “um importante traficante estrangeiro de narcóticos” e o apontou como um dos líderes regionais do CJNG que controlava diversas áreas da costa do Pacífico mexicano, incluindo Nayarit; Em 2020, Flores Silva foi formalmente acusado por um tribunal federal no Distrito de Columbia por conspiração para distribuir drogas e por crimes relacionados ao uso de armas de fogo.Especificamente, a acusação formal contra El Jardineiro o acusa dos crimes de “conspiração para distribuir cinco quilos ou mais de cocaína e um quilo ou mais de heroína com o objetivo de importá-los para os Estados Unidos, bem como portar, usar e possuir uma arma de fogo em conexão com um crime relacionado a drogas”.Por esses crimes, o Departamento de Estado oferecia uma recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à sua prisão ou condenação.O caso Flores Silva nos EUA está sendo processado pela Seção de Narcóticos e Drogas Perigosas da Divisão Criminal do Departamento de Justiça.Segundo informações do Departamento do Tesouro, Flores Silva já havia cumprido uma pena de cinco anos de prisão nos Estados Unidos por tráfico de drogas.“Após sua libertação, ele retornou ao México. Em 2016, as autoridades mexicanas prenderam Flores Silva, acusado de orquestrar uma emboscada contra policiais mexicanos em Soyatlán, Jalisco, em abril de 2015. Flores Silva foi posteriormente libertado de uma prisão mexicana após contestar as acusações contra ele nos tribunais mexicanos”, explicou o Departamento do Tesouro dos EUA.El Jadinero era considerado pelos analistas de segurança como o possível sucessor de El Mencho após a morte do líder criminoso em fevereiro, durante uma operação militar em Tapalpa, cidade localizada a cerca de 120 quilômetros a sudoeste de Guadalajara, Jalisco, em uma área montanhosa, que desencadeou uma onda de violência em 20 estados do país.Desde então, o CJNG vem passando por uma reestruturação para definir sua liderança. Segundo o site especializado InSight Crime, entre os possíveis sucessores de El Mencho dentro da estrutura do cartel, estão Juan Carlos Valencia González, vulgo El 03, e Ricardo Ruiz Velasco, vulgo Doble R, ambos identificados como figuras de alto escalão nas operações e na expansão territorial da organização.