O economista Armínio Fraga considera que a ordem global que vigorava no mundo acabou e reconheceu que não sabe prever o que vem pela frente. Em entrevista publicada nesta segunda-feira (27) pelo jornal Valor Econômico, Fraga diz que transições hegemônicas tendem a ser períodos de turbulência.Segundo o ex-presidente do Banco Central e sócio-fundador da Gávea Investimentos, a organização global criada após a segunda guerra, com ONU, Banco Mundial e FMI, que gerou prosperidade e a esperança de um mundo pacífico e favorável ao desenvolvimento, acabou.SAIBA MAIS: Investir com inteligência começa com boa informação: Veja as recomendações do BTG Pactual liberadas gratuitamente pelo Money Times“De repente a gente acorda com a volta do Estado-nação e com tudo aquilo que dá medo, em que vale mais a força do que a forma institucional. A volta do Estado-nação confirma a leitura de que as regras não valem mais”, disse Fraga, explicando que o Estado-nação é o Estado que olha para dentro, que acredita no jogo de poder e joga pesado e com pouquíssimo respeito às instituições ou às fronteiras entre as nações.“Estamos falando sobretudo dos Estados Unidos, da China e da Rússia, todos armados até os dentes com arsenais nucleares”.Na entrevista, a Armínio Fraga considera que os EUA já não estão sozinhos no grupo de super potência, com a China com grande peso e em situação de guerra fria meio escondida, a Europa tentando se consolidar e indo em direção ao rearmamento, e a Rússia sem muito poder econômico, mas com grande força militar.Sobre o Brasil, Fraga acha preocupante a dívida em 80% do PIB, com pagamento de juros médio de 8% acima da inflação, embora reconheça méritos do Ministério da Fazenda com o crescimento dos últimos três anos e baixo desemprego, além do esforço do Banco Central na contenção da inflação.“O Banco Central precisa de ajuda fiscal, mas imensamente. Não é coisa pequena. Há muitas áreas onde vai ser possível, se houver vontade política, dar uma guinada, mas isso hoje ninguém fala. Mesmo alguns economistas mais ortodoxos dizem que o Ministério da Fazenda está trabalhando bem e fez muita coisa boa. É fato e merece crédito. Mas o mais importante, na parte fiscal, não fez”, diz o ex-presidente do BC.