A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 trouxe novos sinais de fragilidade para o mercado de cervejas no Brasil, após a divulgação do desempenho da Heineken também no Brasil, reforçando leituras cautelosas sobre o consumo e o ritmo da indústria. Analistas do Bradesco BBI e do Morgan Stanley avaliam que os números indicam um ambiente mais desafiador para o setor, ainda que com nuances importantes para a leitura dos resultados da Ambev (ABEV3).A Heineken reportou crescimento orgânico de 2,2% na receita consolidada no primeiro trimestre, impulsionado exclusivamente por preço e mix, enquanto os volumes ficaram estáveis na comparação anual. No Brasil, a receita líquida avançou em ritmo de médios dígitos, com uma contribuição de preços/mix em torno de “um único dígito alto” compensando uma queda de volumes de “um único dígito baixo”. Segundo a companhia, o mercado no sell-out (venda do varejista para o consumidor final) segue fraco, impactado adicionalmente por um Carnaval mais cedo.Entre as principais marcas, Amstel e Sol apresentaram crescimento de volumes, enquanto a marca Heineken teve leve retração no trimestre.Para o Bradesco BBI, o desempenho no Brasil foi mais fraco do que o esperado, sobretudo em volumes, mesmo diante de bases de comparação consideradas fáceis — no primeiro trimestre de 2025, os volumes haviam caído em ritmo de médios dígitos. Na visão do banco, isso reforça a percepção de que a fraqueza da indústria de cervejas no país pode ser mais intensa do que alguns indicadores sugerem.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta manter os 192 mil pontosBolsas dos EUA recuam juntas em meio a tensões no Estreito de Ormuz Os analistas destacam que, após um período pontual de crescimento em 2025, a combinação de consumo mais fraco e condições climáticas desfavoráveis levou a uma desaceleração mais forte do mercado. Embora dados de produção tenham mostrado alguma resiliência no início do ano, estimativas de mercado indicavam queda de 1,2% no sell-out até fevereiro, e o desempenho da Heineken no 1T26 sugere que esse ambiente mais frágil prevaleceu.Já o Morgan Stanley observa que, apesar da queda de volumes da Heineken no Brasil ter desacelerado em relação ao quarto trimestre de 2025, essa melhora ocorreu sobre uma base de comparação significativamente mais fácil. Segundo o banco, conversas com participantes do mercado indicam que os volumes de sell-out da indústria de cervejas no Brasil recuaram cerca de 3% em janeiro e fevereiro, com março apresentando uma base ainda mais desafiadora, dado o calendário do Carnaval.Mais do que o desempenho absoluto, o Morgan Stanley chama atenção para o fato de que a Heineken aparentemente ficou atrás da indústria no início do ano. Embora o banco continue vendo um potencial estrutural relevante para ganhos de participação da companhia — uma vez que sua participação em vendas ainda estaria cerca de 20 pontos percentuais abaixo de sua força de marca —, a recente performance levanta questionamentos sobre a execução no curto prazo, especialmente após a inauguração da nova fábrica em Minas Gerais no fim de 2025.Do ponto de vista competitivo, o Bradesco BBI destaca uma melhora relevante no posicionamento da Ambev. Segundo o banco, a companhia entra em 2026 com participação de mercado maior na comparação anual, e os resultados da Heineken sugerem novos ganhos no primeiro trimestre, sobretudo no segmento premium. O desempenho mais fraco da marca Heineken indicaria espaço para avanço da Ambev, apoiada em um portfólio premium mais amplo, enquanto, no mainstream, a Amstel segue mostrando força.Leia também: Confira o calendário de resultados do 1º trimestre de 2026 da Bolsa brasileiraApesar disso, ambas as casas recomendam cautela ao extrapolar os números da Heineken para a Ambev. O Morgan Stanley avalia que as bases de comparação entre as companhias são muito diferentes — enquanto a Heineken enfrentou um trimestre fraco em 2025, a Ambev teve crescimento de volumes naquele período —, o que torna os números reportados um referencial imperfeito.Com base na dinâmica de sell-out, o Morgan Stanley mantém sua estimativa de queda de 4% nos volumes da Ambev no Brasil no primeiro trimestre, em linha com o consenso. Já o Bradesco BBI mantém sua projeção de recuo de 2,5% nos volumes de cerveja da companhia em 2026, ressaltando que os ganhos de participação tendem a ser neutralizados pela fraqueza da indústria, com riscos mais inclinados para baixo do que para cima.Embora exista a expectativa de retomada de crescimento de volumes a partir do segundo trimestre, o Bradesco BBI avalia que ainda faltam sinais claros de que essa melhora seja estrutural. Com a ação negociada a 15,8 vezes o lucro estimado para 2026 — um prêmio de cerca de 22% em relação às cervejarias globais —, o banco mantém recomendação neutra para os papéis da Ambev, com preço-alvo de R$ 14. Já o Morgan tem recomendação underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda), com preço-alvo de R$ 10,50. The post ABEV3: o que os números da Heineken indicam para os resultados da Ambev no 1T26? appeared first on InfoMoney.