Wall Street: Autorregulador define cronograma de nova regra para day trade nos EUA

Wait 5 sec.

A FINRA, órgão autorregulador de Wall Street, definiu o cronograma da nova regra que desmonta uma das travas mais conhecidas do day trade nos Estados Unidos: a exigência de US$ 25 mil para investidores enquadrados como “pattern day traders“. O novo regime entra em vigor em 4 de junho de 2026 e abre a transição para um modelo que passa a medir o risco real das operações ao longo do pregão, e não mais apenas a frequência das negociações.Na prática, a decisão encerra a regra de “pattern day trader”, aplicada a traders que faziam quatro ou mais day trades em cinco dias úteis, e coloca no lugar um novo sistema de margem intradiária.Day trade nos EUAA mudança altera a lógica do mercado: sai de cena uma barreira fixa de patrimônio mínimo e entra uma exigência baseada na capacidade da conta de sustentar a exposição assumida em tempo real.A margem mínima funciona como uma espécie de depósito de garantia exigido para que o investidor possa manter posições abertas. Em outras palavras, é o valor que precisa estar disponível na conta para viabilizar a operação. Com a nova regra, esse conceito ganha protagonismo e passa a ser o centro da supervisão sobre o day trade em contas margem. Essa é a principal mudança de lógica trazida pela nova estrutura.Saiba mais: SEC, nos EUA, derruba regra dos US$ 25 mil para day trade e adota nova margem intradiária TransiçãoA mudança consolida a virada regulatória aprovada pela Securities and Exchange Commission (SEC), que elimina a classificação de pattern day trader e derruba a exigência de US$ 25 mil em patrimônio mínimo para esse enquadramento nas contas margem. “Embora a regra passe a valer em junho de 2026, as corretoras terão até 20 de outubro de 2027 para concluir a adaptação de sistemas, políticas e processos.”Antes da mudança, investidores que realizassem quatro ou mais day trades em cinco dias úteis podiam ser enquadrados nessa categoria e, com isso, ficavam sujeitos ao piso mínimo de capital. Agora, esse modelo dá lugar a uma estrutura centrada no risco efetivamente assumido ao longo do dia, e não mais em uma trava mecânica baseada apenas na frequência das operações.Leia também: Ralph Acampora: as lições de quem ajudou a legitimar os gráficos em Wall Street O que muda na prática?O ponto central da nova norma é a criação de um regime de “intraday margin” (margem intradiária, exigência de garantia calculada com base no risco das posições ao longo do pregão).“A lógica muda de forma relevante: em vez de observar apenas quantos day trades o investidor realizou, as corretoras passam a verificar se o patrimônio da conta é suficiente para sustentar a exposição aberta naquele momento.”A FINRA ressalta, porém, que as emendas não alteram os requisitos tradicionais de margem inicial e de margem de manutenção já previstos na Regra 4210. O que entra em cena é uma camada adicional, desenhada especificamente para monitorar o risco intradiário.Outro ponto importante é que as corretoras poderão seguir dois caminhos operacionais. O primeiro é fazer o monitoramento em tempo real, bloqueando ordens que criem ou ampliem déficits de margem intradiária. O segundo é adotar um modelo de cálculo ao fim do dia, em linha com a lógica já usada hoje para verificar a margem de manutenção. A regra permite as duas abordagens.Déficit intradiário vira peça central da nova regraA nova estrutura, em suma, introduz conceitos que passam a ser centrais para o funcionamento das contas margem. Um deles é o “intraday margin deficit” (déficit de margem intradiária, ou seja, insuficiência de garantia na conta diante da margem exigida para sustentar as posições ao longo do pregão), que representa, em linhas gerais, o maior descasamento entre a margem exigida e o patrimônio da conta ao longo do dia.Outro é o “intraday margin level (IML)” (nível de margem intradiária, indicador que mostra a folga de margem da conta ou o quanto ainda precisaria ser depositado para a conta atender ao nível exigido).A regra também define as chamadas IML-reducing transactions (transações que reduzem o nível de margem intradiária, ou seja, operações que diminuem a folga de garantia disponível na conta).Entram nessa lógica, por exemplo, compras de ativos que não sirvam para cobrir posições vendidas e determinadas operações que aumentem a exposição da conta.Pelos parâmetros definidos pela FINRA, as corretoras deverão usar critérios objetivos na apuração desse risco, incluindo preços de mercado atualizados. A regra também prevê o tratamento de valores alocados em sweep programs (programas de varredura de caixa, mecanismo que direciona automaticamente recursos ociosos da conta para depósitos em bancos ou aplicações de curtíssimo prazo). Nesses casos, depósitos em bancos segurados pelo FDIC, órgão dos EUA que garante depósitos bancários, podem ser considerados saldo credor da conta.Cobertura do déficit deve ser rápidaSegundo o comunicado, sempre que surgir um déficit de margem intradiária, a corretora terá de exigir que ele seja coberto o mais prontamente possível, seja por meio de novos depósitos, seja por redução de exposição ou aumento do nível de margem da conta. Pela regra, esse déficit permanece em aberto até ser satisfeito ou até expirar automaticamente após o fechamento do 15º dia útil contado da data em que foi gerado.A norma também cria uma trava disciplinar. Se o investidor apresentar reincidência e deixar um déficit sem cobertura até o fechamento do 5º dia útil, a corretora deverá impor uma restrição de 90 dias corridos. Nesse intervalo, a conta fica impedida de criar ou aumentar posições vendidas ou saldos devedores, salvo em situações ligadas ao fechamento de posições já existentes.Há exceções para déficits de pequeno valor — até o menor entre 5% do patrimônio da conta e US$ 1.000 — e também para situações classificadas, de forma razoável pela instituição, como circunstâncias extraordinárias.Portfolio margin também entra no novo regimeNo segmento de portfolio margin (margem por portfólio, regime de margem que considera o risco conjunto das posições da carteira, e não apenas operação por operação), a FINRA também detalhou ajustes relevantes. As corretoras terão de prever, em suas metodologias de análise de risco, procedimentos específicos para determinar e monitorar o risco intradiário dessas contas.Além disso, contas com menos de US$ 5 milhões em patrimônio deverão manter margem para esse risco em nível substancialmente semelhante ao exigido para posições carregadas até o fechamento do mercado.A SEC destacou ainda que a mudança busca fechar lacunas do modelo antigo ao incorporar exposições intradiárias que antes não eram plenamente capturadas, incluindo negociações com opções de vencimento no mesmo dia, as chamadas 0DTE.Mudança será implementada em fasesEmbora a regra passe a valer em junho de 2026, a implementação completa não será instantânea. A FINRA deu às instituições um período de transição de até 18 meses, até 20 de outubro de 2027, para ajustar sistemas, controles internos, políticas de risco e processos operacionais.A entidade informou ainda que deve publicar, em breve, um novo comunicado com orientações interpretativas, exemplos práticos e materiais adicionais sobre a aplicação da nova margem intradiária.The post Wall Street: Autorregulador define cronograma de nova regra para day trade nos EUA appeared first on InfoMoney.