Em revisão das estimativas para o setor de papel e celulose, o JP Morgan rebaixou a recomendação das ações da Klabin (KLBN11) de compra para neutra.A mudança, segundo o banco, considera um cenário mais fraco para a celulose de fibra longa e a ausência de catalisadores no curto prazo.Ainda na visão do JP Morgan, os preços da celulose de fibra curta estão se aproximando de um pico cíclico, enquanto a fibra longa “continua desafiadora”.“Esperamos que os preços de fibra curta permaneçam sustentados no curto prazo, mas a demanda mais fraca por papel e spreads comprimidos da fibra longa devem limitar o potencial de alta”, escreveram os analistas Rodolfo Angele e Tathiane Candini em relatório.A dupla também destaca que os recentes aumentos de preços, impulsionados por oferta restrita e custos crescentes, agora enfrentam ventos contrários devido à mudança no sentimento global e ao aumento da incerteza.“Embora a disciplina na oferta e a inflação de custos tenham sustentado os preços, riscos geopolíticos — especialmente o conflito no Oriente Médio — trouxeram cautela ao mercado, limitando a disposição dos compradores em aceitar novos aumentos”, acrescentaram.No caso de Klabin, eles consideram que o desmpenho operacional “balanceado e sólido” da companhia já está precificada e que faltam gatilhos ‘claros’ para destravar o preço de KLBN11.Como resultado, o banco também cortou o preço-alvo das ações de R$ 26 para R$ 22, implicando potencial de alta de 18% sobre o preço de fechamento de ontem (22).Em reação, KLBN11 opera entre as maiores quedas do Ibovespa. Por volta de 13h (horário de Brasília), a ação caía 2,30%, a R$ 18,27. Na primeira hora do pregão, o papel bateu mínima intradia com queda de 2,78%, a R$ 18,18. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "KLBN11", "KLBN11" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "cb44e32"} ); Suzano: a ‘queridinha’ do JP MorganPara os analistas, a Suzano é a única fabricante latino-americana que oferece um perfil de risco-retorno diante o cenário atual. O banco reiterou SUZB3 como a preferida (top pick) do setor.A visão positiva também é sustentada pelo valuation ‘atrativo’, com a companhia negociando a 5,2 vezes EV/Ebitda 2026 e yield (rendimento) de FCF (fluxo de caixa livre) de 12,8% projetado em 2026.Além disso, há perspectiva de maior volume com o ramp-up completo do projeto Cerrado e redução relevante de capex após a entrada em operação.Mas devido a revisões cambiais, o JP Morgan cortou o preço-alvo de SUZB3 de R$ 81 para R$ 74, o que ainda implica em um potencial de valorização de 56,3% sobre o preço de fechamento anterior. Ontem (22), a ação encerrou cotada a a R$ 47,35.Reflexos do conflito no Oriente MédioAinda no relatório, o JP Morgan afirmou que o conflito no Oriente Médio alterou “abruptamente” o sentimento do mercado e dinâmica de preços.Para os analistas, as expectativas iniciais para o setor eram construtivas, com uma prespectiva amplamente positiva para o primeiro semestre deste ano, sustentadas por fatores de oferta e custos como para paradas de manutenção, limitada adição de capacidade, estoques enxutos e aumento nos custos de cavacos de madeira.Mas a guerra entre Estados Unidos e Irã elevou a incerteza e deslocou as negociações para riscos relacionadas a frente e custos de insumos. Diante desse cenário, os compradores tornaram-se mais “relutantes” em aceitar aumentos significativos de preços.O conflito também, segundo os analistas, ameaça a demanda por papel e pode limitar a capacidade dos produtores de repassar custos mais altos de frete e insumos, deixando os fornecedores sob pressão de margens mesmo que os preços se mantenham.Por isso, a fraqueza da demanda por papel e o “período mais fraco” do verão devem limitar o poder de precificação, apesar do suporte de custos. “A fibra longa continua pressionada por estoques elevados e futuros fracos”, escreveram os analistas.Papel e Celulose: revisão das estimativasAgora, o JP Morgan estima a fibra curta a US$ 615 a tonelada no segundo trimestre (2T26), uma alta de 9% em relação a janeiro, mas cerca de 3,5% abaixo da média histórica. A estimativa anterior era de US$ 580 a tonelada.Para os terceiro (3T26) e quarto trimestres (4T26), a estimativa passou de US$ 570 a tonelada para US$ 590 a tonelada.Os analistas afirmam que as revisões para cima é principalmente impulsionada por custos, refletindo maiores custos de cavacos de madeira e renovada incerteza em relação a frete e outros insumos devido ao conflito.Para fibra longa, o banco definiu um preço médio de US$ 715 a tonelada no 2T26 e de US$ 740 a tonelada nos 3T e 4T26, refletindo spreads menores entre fibras em relação ao ano passado.Para 2026, a perspectiva permanece positiva, com preços médio de US$ 600 a tonelada, devido a um ambiente de oferta favorável com menos adições de capacidade.