A Vale (VALE3) reforçou, durante a teleconferência de resultados do primeiro trimestre de 2026, que a pressão de custos deve seguir como principal ponto de atenção ao longo do ano — com impacto direto do cenário macro e, mais recentemente, da guerra no Oriente Médio.O custo caixa C1 da mineradora subiu 12% na comparação anual, para US$ 23,6 por tonelada, pressionado principalmente pela valorização do real e efeitos operacionais. Segundo o CFO da companhia, Marcelo Bacci, a tendência é de continuidade desse movimento.“O custo está sendo impactado principalmente pela apreciação do real e efeitos de estoque, e deve caminhar para o topo do guidance ao longo do ano”, afirmou.A projeção da empresa é que o custo C1 fique mais próximo do limite superior da faixa estimada para 2026, entre US$ 20 e US$ 21,5 por tonelada, sinalizando um ambiente mais pressionado no curto prazo.Leia mais: Vale (VALE3): Ações caem forte após balanço, com guerra já pesando nos custosAlém dos fatores cambiais, a Vale passou a incorporar também o impacto geopolítico na sua estrutura de custos. Questionada sobre os efeitos da guerra envolvendo o Irã, a companhia destacou que, embora o impacto sobre a oferta global de minério seja limitado, a pressão sobre custos já é clara.“Houve um impacto neutro na oferta global de minério de ferro, mas a curva de custos subiu entre US$ 5 e US$ 10 por tonelada”, disse Bacci.A alta está relacionada principalmente ao encarecimento de energia, combustíveis e logística, fatores que tendem a afetar toda a indústria global. Por outro lado, esse movimento também pode na visão da companhia dar suporte aos preços do minério de ferro, ao elevar o custo marginal de produção e impactar produtores menos competitivos.Vale mantém visão construtivaApesar do cenário mais desafiador em custos, a Vale mantém uma visão construtiva para a geração de resultados ao longo do ano. A companhia destacou que o primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco e que a tendência é de melhora nos próximos períodos.“O Ebitda [Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês] teria sido ainda maior não fosse o impacto negativo de cerca de US$ 140 milhões relacionado a ajustes de preços provisórios, que são efeitos contábeis”, explicou o CFO.Segundo ele, considerando as curvas atuais de preços, esse efeito tende a ser positivo nos próximos trimestres, o que pode contribuir para a evolução dos resultados.Do lado da demanda por minério, a Vale vê um cenário equilibrado. A companhia destacou que a demanda global segue estável, com a China operando em níveis elevados de utilização de alto-forno, enquanto a oferta permanece ajustada.“Vemos um mercado equilibrado entre oferta e demanda, com uma perspectiva de preços sustentados”, afirmou Bacci.No campo de retorno ao acionista, a Vale reiterou confiança na sua capacidade de distribuição de capital. A companhia pagou US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio no trimestre e sinalizou que pode manter uma política agressiva ao longo do ano.“Estamos cada vez mais confiantes na possibilidade de dividendos extraordinários”, disse o CFO.A expectativa é de que a melhora do fluxo de caixa ao longo dos próximos trimestres — com normalização do capital de giro e avanço operacional — sustente essa estratégia.A Vale ainda reiterou sua confiança na sua execução e nos projetos em andamento. O CEO, Gustavo Pimenta, destacou o avanço de iniciativas estratégicas, como o projeto Serra Sul +20, que já atingiu 86% de conclusão e deve entrar em operação no segundo semestre de 2026.“Seguimos confiantes na execução dos nossos projetos e na capacidade de capturar oportunidades em um ambiente de mercado ainda robusto”, afirmou.Outro destaque continua sendo a divisão de metais básicos, que mais do que dobrou o EBITDA na comparação anual, impulsionada por preços mais altos e ganhos de produtividade.No geral, a mensagem da companhia é de um cenário de custos mais pressionado no curto prazo, mas com fundamentos ainda sólidos — incluindo preços sustentados de minério e forte geração de caixa — para sustentar resultados e distribuição de dividendos ao longo de 2026.