Foto: Criada via Chat GPTO casal desceu do trem na estação de Mirandópolis, a mulher trazia nos braços uma criança enrolada em uma manta. O homem carregava uma pequena mala e um saco com algumas roupas. Era um casal jovem, sadios, mas seus rostos mostravam uma grande tristeza. Atravessaram os trilhos e desceram para a rua principal da cidade, onde foram abordados por um velho, negro, magro, que humildemente perguntou-lhes o que estava acontecendo.A mulher, chorando, contou-lhe: estamos chegando de Araçatuba, fomos buscar nosso filho no hospital Santana, ele está com pneumonia e os médicos disseram que não tem mais o que fazer. Continuaram descendo a rua e ela continuou a narrativa: este é o nosso único filho, está com seis meses de idade, já perdemos quatro ao nascerem e vamos perder mais um.Ao chegarem na primeira rua paralela à principal, viraram à direita, pois moravam no meio daquele quarteirão. O velhinho se apresentou: meu nome é Cassiano, sou pai do Arlindo alfaiate e peço permissão a vocês para benzer o garotinho.O casal deu a permissão, convidou-o para entrar, mas ele disse que ficaria no quintal mesmo. Apanhou uns ramos de arruda, mandou que a mulher sentasse com o garoto no colo e por três vezes passou os ramos pela criança orando em voz baixa. Ao terminar mandou que desse a mamadeira ao menino. A mulher disse que não adiantaria, que ele não estava mais mamando e que quando mamava alguma coisa vomitava tudo em seguida. Ele insistiu para que amamentasse, então ela cedeu. O garoto mamou tudo e não vomitou.O casal não sabia o que dizer, não acreditava no que via, até a febre havia diminuído. Seu Cassiano falou: o menino não vai morrer, a tarde volto para benzer novamente. Despediu-se, voltou aquela tarde e muitas outras, pois passou a ser considerado alguém da família.A criança sarou, cresceu, o casal vendeu a casa e comprou uma, em uma rua mais afastada do centro, rua São João, mas a amizade deles continuou sempre muito firme e sincera. O casal contou a história para o garoto e ele sempre que encontrava seu Cassiano corria a apanhar ramos de arruda e pedia: Vô Cassiano, me benze.Quando o pai do garoto não estava trabalhando nas fazendas, derrubando árvores, no machado e no traçador, pois ajudou a abrir várias fazendas da região, ele subia a rua onde residia, à tardezinha, com seu Cassiano e o convidava para um café. O garoto, já com sete anos de idade, jogava futebol com os amigos, mas assim que os via corria, apanhava um ramo de arruda, e pedia para o vô Cassiano benzê-lo.Numa tarde, depois que seu Cassiano foi embora, um amigo chegou até ao garoto e exclamou: Demá, seu avô é preto!!??No dia seguinte, quando o garoto viu o pai e seu Cassiano dobrarem a esquina, foi se afastando, foi se esquivando e se escondendo atrás do poste. Seu pai estranhou o comportamento e disse: não vai pedir a benção ao vô Cassiano e pedir que o benze?Seu Cassiano falou: deixe o menino, ele está com vergonha porque sou preto.Seu Cassiano, com certeza, naquele momento, já perdoava o garoto, pois ele tinha algo “divino”, algo mais que só aqueles escolhidos por Deus é que tem. O post Artigo: aqueles escolhidos por Deus é que tem o perdão apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.