Milhões de pessoas enfrentam desemprego no Irã e guerra completa dois meses

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Milhões de iranianos perderam seus empregos e estão sendo empurrados para a pobreza em meio à guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que completa dois meses nesta terça-feira (28).Poucos setores escaparam ilesos. Entre os novos desempregados estão trabalhadores de refinarias e da indústria têxtil, caminhoneiros, comissários de bordo e jornalistas.A economia do Irã já se encontrava em situação crítica antes do conflito. A renda nacional per capita havia caído de cerca de US$ 8 mil em 2012 para US$ 5 mil em 2024, devastada pela inflação, corrupção e sanções.A perspectiva é ainda pior. Até 4,1 milhões de pessoas a mais podem cair na pobreza devido ao conflito, segundo o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Irã "dá nó" nos EUA em negociações sobre programa nuclear, diz professor Irã mantém iniciativa diplomática e "dominância de escalada" em Ormuz EUA x Irã: negociações de paz enfrentam novos obstáculos; entenda Os danos físicos causados ​​por milhares de ataques aéreos provocaram deslocamentos em massa, segundo o PNUD. Mais de 23 mil fábricas e empresas foram atingidas, informou o portal de notícias EcoIran.Isso custou um milhão de empregos diretamente, afirma o vice-ministro do Trabalho e da Segurança Social do Irã, Gholamhossein Mohammadi. E o efeito indireto deixou mais um milhão de pessoas desempregadas, estima a publicação iraniana Etemad Online.A interrupção do transporte marítimo e, consequentemente, das importações, também afetou a já frágil economia de Teerã, “colocando 50% dos empregos iranianos em risco e empurrando outros 5% da população para a pobreza”, segundo Hadi Kahalzadeh, do Quincy Institute, um centro de estudos de política externa.Dados oficiais mostram um aumento repentino no número de solicitações de seguro-desemprego – 147 mil nos últimos dois meses, cerca de três vezes mais do que no ano passado.A taxa de inflação anual em março atingiu 72%, mas foi muito maior para bens essenciais, de acordo com dados oficiais.Os ataques aéreos israelenses do mês passado contra enormes complexos petroquímicos deixaram milhares de trabalhadores em licença não remunerada. As maiores siderúrgicas do Irã também foram atingidas, mas duas delas – a Siderúrgica Mobarakeh e a Siderúrgica Khuzestan – negam ter demitido funcionários.Ainda assim, os enormes prejuízos causados ​​à indústria pesada estão se espalhando por toda a economia. A fabricante de reboques Maral Sanat, com sede perto da fronteira com o Azerbaijão, demitiu 1.500 trabalhadores por falta de aço. Uma das maiores empresas têxteis do Irã, a Borujerd, demitiu 700 funcionários.Professor: Irã usa guerra para mostrar que ameaças à sua estabilidade são risco para economia | WWInternet limitada afeta rendaA falta de acesso à internet é especialmente problemática para as mulheres que trabalham em casa.Somayeh, de Isfahan, na casa dos 50 anos, ensina alemão online há anos. Suas turmas costumavam estar lotadas, mas sem acesso à internet, ela teve que recorrer a aplicativos locais, que não são muito confiáveis.“Nada funciona direito mais”, disse ela à CNN por telefone. “Os alunos não conseguem acessar a internet ao mesmo tempo, as plataformas ficam travando.”Um terço de todos os pedidos de seguro-desemprego foram feitos por mulheres desde o início da guerra.O aumento do desemprego pressionou ainda mais um sistema de segurança social já fragilizado, num momento em que as receitas do Estado estão reduzidas.A crise econômica alimentou as críticas à política econômica do governo.“O governo ordenou um aumento salarial de 60% para seus funcionários, permitindo que muitos deles trabalhem remotamente com salário integral. Enquanto isso, as empresas, sem condições de arcar com os salários, estão demitindo seus trabalhadores”, disse Saeed Tajik, membro da Câmara de Comércio de Teerã, em entrevista à agência iraniana Fararu.A Câmara de Comércio afirmou que a preservação de empregos deve ser a principal prioridade econômica do país, instando as empresas a apoiarem os trabalhadores “com compaixão e sacrifício” durante esta crise.O governo afirma que as dificuldades são consequência de uma guerra injusta imposta aos iranianos pelos EUA e por Israel. Há relatos de que planeja ampliar o programa de vouchers mensais que auxiliam os mais pobres com itens básicos.Mesmo antes do início da guerra, as dificuldades e a inflação provocaram protestos em todo o país, que foram brutalmente reprimidos .Em praticamente todos os aspectos da vida, em todo o Irã, a perspectiva é sombria, à medida que a guerra entra em um limbo sem solução.Em Isfahan, a professora de idiomas Somayeh disse à CNN: “A queda na renda é ruim, mas o pior é essa incerteza constante. Você nunca sabe o que vai acontecer em seguida.”Por que o Estreito de Ormuz é tão importante para a economia do mundo?