Emirados Árabes Unidos deixam Opep e Opep+ a partir de maio em meio a tensões no Oriente Médio

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Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+, grupo que reúne aliados como a Rússia. A decisão passa a valer em 1º de maio e ocorre após discussões sobre o cenário internacional do petróleo.Segundo a agência estatal WAM, a medida está relacionada às “perturbações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz”. A informação foi confirmada à Reuters pelo ministro de Energia, Suhail Mohamed al-Mazrouei.A guerra no Irã, que faz parte da Opep, e seus impactos sobre o mercado de energia pesaram na decisão, assim como a percepção de fragilidade dos países do Oriente Médio na proteção de seus interesses petrolíferos.A saída tende a enfraquecer a Opep e a Opep+, que buscam manter uma frente unida apesar de divergências internas. Al-Mazrouei afirmou que a decisão não foi discutida com outros países, incluindo a Arábia Saudita, principal liderança do grupo.As tensões entre Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita também vêm se intensificando, em meio à disputa por influência regional.Desentendimentos sobre política petrolífera já levaram Abu Dhabi a cogitar a saída da Opep em outras ocasiões, sem que a medida fosse concretizada.Atualmente, os Emirados Árabes Unidos estão entre os dez maiores produtores de petróleo do mundo, responsáveis por cerca de 4% da produção global — mais de 4 milhões de barris por dia, segundo dados dos Estados Unidos.Para os Estados Unidos, a saída pode ter efeito positivo. O ex-presidente Donald Trump já criticou a Opep por pressionar os preços do petróleo e chegou a vincular o apoio militar americano no Golfo à política de preços da organização.Após o anúncio, Al-Mazrouei afirmou que a decisão “reflete uma evolução política alinhada com os fundamentos de longo prazo do mercado”. Fundada em 1960, a Opep reúne grandes exportadores de petróleo e tem como objetivo coordenar a produção entre os países membros, influenciando os preços internacionais por meio do controle da oferta.