Gerdau (GGBR4) sobe após balanço e analistas falam em “melhoras generalizadas”

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As ações da Gerdau (GGBR4) operam em alta nesta terça-feira (28), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 na véspera. Por volta das 10h30, os papéis subiam 1,29%, a R$ 21,94.O movimento vem na esteira de um balanço considerado sólido pelo mercado, com melhora operacional em diferentes frentes e desempenho novamente puxado pela América do Norte.Para a XP Investimentos, o resultado trouxe “melhoras generalizadas”, refletindo mais um trimestre robusto nos Estados Unidos, com as tarifas de Donald Trump impulsionando os resultados, e também de avanço de margens no Brasil.“O resultado foi sustentado por um desempenho forte na América do Norte, com preços mais altos e maiores volumes, além de backlog sólido acima de 90 dias, o que indica continuidade do bom momento no próximo trimestre”, afirmam os analistas, liderados por Lucas Laghi.Na prática, a operação norte-americana entregou Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) de R$ 2,3 bilhões, alta de 23% na comparação trimestral e de 88% na base anual, com margem de 24,1% (+3 p.p. t/t e +10,4 p.p. a/a), sustentada por volumes maiores (+5% t/t) e preços mais altos em dólar.Brasil pressionado, mas melhorA XP também chamou atenção para a melhora no Brasil, principalmente do lado de custos — um ponto que vinha pressionando os resultados recentes.“Houve melhora do desempenho no Brasil, com expansão de margens de cerca de dois pontos percentuais na comparação trimestral, refletindo custos caixa por tonelada menores, especialmente por despesas de manutenção mais baixas e um mix mais favorável”, destacam.No trimestre, o Ebitda da operação brasileira somou R$ 578 milhões, alta de 13% frente ao quarto trimestre, mas ainda queda de 47% na comparação anual, com margem de 9,2% (+2,1 p.p. t/t e -5,4 p.p. a/a). A receita líquida no país caiu 16,3% em um ano, para R$ 6,3 bilhões, com volumes pressionados (-7,5% a/a).Na mesma linha, o Itaú BBA avaliou que o desempenho no Brasil veio melhor do que o esperado, puxado justamente pelo controle de custos.“O resultado foi impulsionado por uma performance de custos melhor do que o esperado no Brasil, onde a margem superou nossas estimativas, refletindo menores custos de manutenção e ganhos de produtividade”, escreveram os analistas.Segundo o banco, os custos por tonelada recuaram cerca de 6% na comparação trimestral, enquanto o mix de vendas também ajudou a sustentar as margens, mesmo com preços mais fracos e queda de volumes.O BTG Pactual também destacou a surpresa positiva na operação doméstica, ainda que em um ambiente ainda desafiador. “O Brasil veio melhor do que o esperado, com margens acima do projetado, sustentadas por esforços de redução de custos e maior produtividade”, apontam os analistas.Ainda assim, o banco ressalta que o cenário segue pressionado, com volumes mais fracos (-9,5% t/t) e preços em queda (-5% t/t), impactados pela maior penetração de importados chineses e demanda industrial mais fraca.O consolidado da GerdauNo consolidado, a Gerdau reportou Ebitda ajustado de R$ 3 bilhões, alta de 24,6% na comparação trimestral e de 23,3% na base anual, enquanto o lucro líquido ajustado somou R$ 1,0 bilhão (+51% t/t e +33,8% a/a). A receita líquida ficou em R$ 16,7 bilhões (-1,5% t/t e -3,8% a/a).Outro ponto observado pelos analistas do banco foi a geração de caixa. O fluxo de caixa livre ficou próximo do zero (R$ 8 milhões), impactado por um consumo de cerca de R$ 1 bilhão em capital de giro no período — movimento considerado sazonal para o início do ano.“A geração de caixa veio praticamente em breakeven, pressionada pelo capital de giro, mas ainda assim melhor do que parece à primeira vista”, destacam analistas.A companhia anunciou dividendos de R$ 0,18 por ação, com pagamento previsto para junho, além da continuidade do programa de recompra.Na visão da maioria das casas, o tom segue construtivo para o papel. A XP mantém a Gerdau sua top pick no setor de mineração e siderurgia, recomendando compra com preçoa-vlo em, R$ 25. O Itaú BBA tem recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 24. Já o BTG Pactual reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 25, citando que, apesar do bom momento operacional, parte do cenário positivo já está refletida nas ações.