Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o cometa PanSTARRS (C/2025 R3) atingiu no domingo (26) o ponto de maior aproximação da Terra, chamado de perigeu. Nesse momento, ele passou quase alinhado entre o nosso planeta e o Sol (de quem já havia atingido a menor distância dias antes, no periélio), o que dificultou a observação direta a partir da superfície.O evento foi registrado pelo coronógrafo C3, a bordo do Observatório Solar e Heliosférico (SOHO), missão conjunta entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA). Esse instrumento bloqueia a luz solar intensa e permite observar objetos que passam muito próximos do Sol, como cometas.As imagens captadas revelaram um fenômeno curioso pouco antes de o objeto sair do campo de visão. Uma segunda cauda surgiu a partir do núcleo do cometa, criando uma aparência incomum, como pode ser visto abaixo em câmera lenta. Cometa PanSTARRS (C/2025 R3) desenvolve anticauda ao passar perto do Sol – Créito: ESA/NASA/SOHO/LASCOSegundo explica a plataforma de meteorologia e climatologia espacial Spaceweather.com, a cauda principal, mais espessa e brilhante, é formada por poeira. Esse material é mais pesado e, por isso, tende a seguir a trajetória orbital do cometa, sendo menos afetado pelo vento solar.Já a segunda cauda é composta por gases ionizados, partículas muito mais leves que reagem rapidamente à ação do vento solar. Por isso, essa estrutura pode mudar de direção com facilidade e assumir formas diferentes. No registro acima, essa cauda iônica gira e cria um efeito visual curioso, lembrando a figura de um “unicórnio”. Cometa C/2025 R3 PANSTARRS visto em 13 de abril de 2026 na Fazenda Tivoli, Namíbia – Crédito: Gerald Rhemann e Michael Jäger via Spacewather.comProximidade com o Sol atrapalha observaçãoDe acordo com a NASA, o cometa passou a pouco mais de 72 milhões de quilômetros da Terra. Embora essa distância seja relativamente pequena em escala espacial, a posição do objeto no céu dificultou sua visualização.A magnitude estimada era de 3, o que permitiria observação a olho nu em condições normais. No entanto, o cometa estava a apenas 6 graus do Sol, ficando ofuscado pelo brilho intenso da estrela. Para comparar, um punho fechado com o braço estendido corresponde a cerca de 10 graus no céu. Ou seja, o cometa estava a pouco mais da metade dessa distância em relação ao Sol, tornando muito difícil sua detecção.A melhor janela de observação no Hemisfério Sul deve ocorrer nos primeiros dias de maio. Nesse período, o cometa poderá ser visto logo após o pôr do Sol, baixo no horizonte oeste, desde que o céu esteja limpo.Cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) registrado em 14 de outubro de 2024, de Cebalat, Tunísia, com uma anticauda – Crédito: Makrem Larnaout via Spaceweather.comLeia mais:Cometa criovulcânico assume forma espiral após explodirCometa Hale-Bopp pode revelar as origens da vida na Terra (e fora dela)10 curiosidades sobre os cometas que você não sabiaCometa pode ser o mais brilhante do anoAs estimativas indicam que o brilho do objeto ainda pode aumentar. Segundo Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, um fenômeno chamado dispersão frontal pode intensificar ainda mais a luminosidade do cometa.Caso isso ocorra, o PanSTARRS pode atingir magnitude -2, superando o brilho de Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno, e se tornando possivelmente o cometa mais luminoso do ano.Desde sua descoberta, o objeto vem aumentando gradualmente de brilho. Inicialmente com magnitude próxima de 20, ele era extremamente difícil de observar, mas esse valor foi diminuindo ao longo do tempo.Isso ocorre porque, ao se aproximar do Sol, o calor faz com que materiais do cometa evaporem. Esse processo libera gás e poeira, formando a coma e as caudas, que refletem a luz solar e tornam o objeto mais brilhante.O post Cometa “se transforma em unicórnio” ao passar entre o Sol e a Terra apareceu primeiro em Olhar Digital.