Brasileiros dobram compra de criptomoedas no 1º tri: R$ 34 bilhões

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As despesas de brasileiros com compras de criptomoedas no exterior mais que dobraram no primeiro trimestre de 2026, em mais um sinal de que as stablecoins se consolidaram como a principal porta de entrada do país para o mercado global de ativos digitais. Segundo dados do Banco Central, o volume líquido dessas operações passou de US$ 3,1 bilhões entre janeiro e março de 2025 para US$ 6,9 bilhões (R$ 34,4 bi) no mesmo período deste ano.A quase totalidade desse valor está ligada a stablecoins, criptomoedas pareadas a moedas fiduciárias, como o dólar. Do total registrado no primeiro trimestre de 2026, US$ 6,8 bilhões vieram de operações com stablecoins.Apenas US$ 116 milhões foram classificados como operações com criptoativos sem passivo correspondente, categoria que inclui ativos como o Bitcoin. Na prática, isso mostra que a demanda brasileira por cripto no exterior hoje está muito mais ligada ao acesso a dólares digitais do que à compra direta de criptos como BTC.O movimento já vinha acelerando no fim do ano passado. No quarto trimestre de 2025, as despesas com criptoativos no exterior haviam somado US$ 6 bilhões, indicando que o início de 2026 deu continuidade a uma tendência de alta. A comparação anual, porém, é a mais expressiva: o salto de US$ 3,1 bilhões para US$ 6,9 bilhões representa avanço de aproximadamente 122,6%.Leia também: Brasil bate recorde e movimenta R$ 500 bilhões em criptomoedas em 2025Stablecoins dominam mercado brasileiroO dado do Banco Central conversa diretamente com os números da Receita Federal. Em 2025, o Brasil registrou R$ 505,5 bilhões em operações com criptoativos declaradas ao Fisco, o maior volume anual da série histórica e alta de 21,5% sobre 2024. Nesse recorte, o USDT da Tether, principal stablecoin do mercado, respondeu sozinho por R$ 326,89 bilhões, ou 64,7% de todo o volume declarado no país.Esse domínio das stablecoins ajuda a explicar por que o Banco Central passou a acompanhar o tema mais de perto. Diferentemente do Bitcoin, que costuma ser visto como ativo de investimento ou reserva de valor de maior volatilidade, stablecoins são usadas por muitos investidores como forma de dolarização, liquidez, remessas, pagamentos e ponte para outras criptomoedas. No Brasil, a busca por proteção cambial e acesso mais simples ao dólar digital tem sido um dos principais motores desse crescimento.A mudança ocorre em paralelo à entrada em vigor da nova regulação de ativos virtuais no país, que começou em fevereiro. O chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, afirmou ao Valor Econômico que as novas regras também preveem a obrigação de participantes desse mercado prestarem informações ao BC.Segundo ele, esses dados devem começar a ser enviados entre o fim do primeiro semestre e o início do segundo, permitindo que a autoridade monetária receba, trate e valide informações mais robustas ao longo da segunda metade do ano.Leia também: Volume de stablecoins no Brasil cresce 480x em 6 anos e atinge R$ 361 bilhõesA expectativa é que esse novo fluxo ajude o Banco Central a enxergar com mais precisão as transações externas envolvendo criptoativos. Hoje, parte relevante da fotografia ainda depende de classificações estatísticas agregadas e de informações prestadas por diferentes canais. Com a regulação, a autoridade tende a ter uma base mais detalhada sobre quem opera, quais ativos são usados e qual o peso real das stablecoins nas movimentações internacionais.O crescimento brasileiro também se encaixa em um fenômeno global. As stablecoins já somam um mercado superior a US$ 320 bilhões e têm chamado atenção de reguladores internacionais por seu potencial de facilitar pagamentos transfronteiriços, mas também por riscos ligados à estabilidade financeira, dolarização e integridade do sistema financeiro. O Banco de Compensações Internacionais (BIS), por exemplo, alertou recentemente que o avanço desses ativos pode gerar impactos sobre política monetária, crédito e riscos sistêmicos caso seu uso se torne muito amplo sem regras adequadas.Buscando uma carteira com alto ganho, mas sem o sobe e desce do mercado? A Renda Fixa Digital do MB oferece ativos com ganhos de até 18% ao ano, risco controlado e total segurança para seus investimentos. Conheça agora!O post Brasileiros dobram compra de criptomoedas no 1º tri: R$ 34 bilhões apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.