Dólar seguirá abaixo de R$ 5? Analistas veem novas quedas da moeda no curto prazo

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Por mais uma sessão, o real registra resiliência, com o dólar operando abaixo dos R$ 5 e sem tantas variações mesmo em sessões de fortes variações do Ibovespa. Na casa dos R$ 4,97, a divisa americana acumula perdas de 3,5% em abril e de cerca de 9% no acumulado de 2026. Com isso, analistas de mercado projetam o que esperar para a moeda mais à frente, com boa parte das casas seguindo otimista com a moeda no curto prazo. Analistas ressaltam que o real apresentou ganhos entre divisas emergentes pelo cessar-fogo na guerra do Irã iniciado em abril e prorrogado indefinidamente pelo presidente Donald Trump, uma vez que os preços do petróleo permanecem em níveis elevados, favorecendo os termos de troca brasileiros.Leia mais: Dólar Hoje: Confira a cotação e fechamento diário do dólar comercialA resiliência da moeda brasileira ainda reflete, sobretudo, um ambiente externo menos favorável ao dólar e um conjunto de fatores locais que ainda sustentam o fluxo de capital para o país.José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos, ressalta que a casa segue otimista com o real, ainda que haja possível correção. Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, reforça que a atual dinâmica cambial não pode ser explicada apenas por fatores domésticos. Mesmo em dias de maior aversão ao risco, o dólar não tem apresentado uma valorização expressiva no mercado internacional, o que reduz a pressão sobre moedas emergentes. Nesse contexto, o Brasil surge como um destino relativamente atrativo, sobretudo por estar fora dos principais focos de tensões geopolíticas globais.Outro pilar importante é o diferencial de juros. As taxas elevadas no Brasil continuam funcionando como um ímã para o capital estrangeiro, especialmente para investidores interessados em renda fixa, que conseguem combinar retorno elevado com um grau razoável de previsibilidade. Esse fluxo ajuda a explicar a força do real, mesmo em um ambiente externo mais instável. Além disso, o perfil do país como grande exportador de commodities — como petróleo, minério de ferro e grãos — tende a reforçar o ingresso de dólares em momentos de incerteza global, quando esses ativos ganham relevância.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta manter os 190 mil pontos; PETR4 sobe 1%Bolsas dos EUA operam em baixa com Oriente Médio em focoDólar hoje recua com decisões de juros no radarNa sexta-feira, o dólar à vista encerrou com variação negativa de 0,10%, aos R$4,9995Na leitura de Santana, a tendência de apreciação do real pode continuar no curto prazo, já que o dólar ainda encontra resistências técnicas importantes. A região entre R$ 4,70 e R$ 4,80 é vista como um patamar histórico relevante e tem se mostrado difícil de ser rompida de forma consistente desde 2020. Como o cenário global permanece praticamente inalterado — com conflitos em curso, juros elevados e inflação ainda pressionada —, faltam, por ora, catalisadores claros para uma reversão mais forte do movimento.Ainda assim, o especialista ressalta que uma mudança mais significativa dependeria da política monetária dos Estados Unidos. Um início mais claro e consistente de cortes de juros naquele país poderia fortalecer o dólar globalmente e alterar o equilíbrio atual, mas esse movimento ainda não é consenso para o horizonte até o fim do ano.Cristiano Leal, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, reitera que o fortalecimento do real não é um fenômeno isolado. Há, segundo ele, uma valorização mais ampla de moedas frente ao índice do dólar (DXY), reflexo de ajustes globais e da redistribuição de fluxos internacionais. Nesse ambiente, o Brasil passou a ser visto como um beneficiário relativo do redesenho do comércio global e das tensões tarifárias, atraindo parte do capital que busca alternativas fora dos grandes centros tradicionais.Na visão de Leal, o diferencial de juros segue sendo um dos principais sustentáculos do câmbio, especialmente diante da expectativa de que o ciclo de queda da Selic seja mais limitado do que se imaginava anteriormente. No entanto, ele pondera que esse cenário tende a ganhar nuances mais complexas ao longo do segundo semestre. Fatores domésticos — em especial o risco fiscal e a aproximação do calendário eleitoral — podem ganhar peso e trazer mais volatilidade para a taxa de câmbio, limitando movimentos adicionais de apreciação do real.Quando o olhar se volta para onde o dólar pode chegar, as projeções divergem mais no horizonte à frente. Santana avalia que, no curto prazo, é difícil imaginar uma quebra consistente abaixo da faixa de R$ 4,70–R$ 4,80, justamente porque os pilares que sustentam o real continuam presentes. Leal, por outro lado, chama atenção para um cenário mais cauteloso para o fim do ano, projetando o dólar em uma faixa entre R$ 5,10 e R$ 5,30, à medida que incertezas fiscais e políticas ganhem relevância.Assim, no curto prazo, o real pode seguir forte no curto prazo, apoiado no diferencial de juros, no perfil exportador do Brasil e em um ambiente global menos favorável ao dólar. Mas, à medida que 2026 avança, o equilíbrio tende a ficar mais frágil, e o câmbio pode voltar a refletir com mais intensidade os riscos domésticos e eventuais mudanças no cenário internacional.A XP Investimentos aponta que, olhando mais adiante, fatores domésticos tendem a ganhar importância como determinantes da taxa de câmbio, especialmente à medida que o calendário eleitoral se aproxima. Ainda assim, a sua projeção atual de R$ 5,30 por dólar ao final do ano apresenta viés de baixa, sobretudo caso a dinâmica global favorável observada nos últimos meses se mantenha. “Em outras palavras, vemos um real mais forte ao longo de 2026, caso o ambiente observado nos últimos meses se mantenha”, avalia.The post Dólar seguirá abaixo de R$ 5? Analistas veem novas quedas da moeda no curto prazo appeared first on InfoMoney.